O Surgimento das Espécies de Um Só Elemento

2007-07-24 15:16 | Em WebFiction | WebFiction | Comentários Desligados

O surgimento de novas espécies foi quase sempre na história do planeta Terra um processo lento. O tempo normal para a evolução natural produzir uma nova espécie é de alguns milhões de anos. Uma nova espécie num espaço de cem mil anos é um acontecimento raro. A evolução natural é processo lento de tentativa e erro através de mutações genéticas aleatórias.

Depois da invenção da agricultura e da domesticação de animais, a humanidade passou a ter uma intervenção mais directa na criação de novas espécies. A humanidade passou a seleccionar (e cruzar) elementos com características particulares para levar ao aparecimento de novas espécias com qualidades desejadas pela humanidade. Basta pensar em quantas novas espécies de flores e cães surgiram desse modo.

O processo de surgimento de novas espécies acelerou-se com o aparecimento da engenharia genética. Os primeiros passos foram dados no século XIX com a descoberta da química orgânica elementar. No século XX foi dado um passo crucial com a descoberta da dupla estrutura helocoidal do ADN.

Depois da descoberta da biblioteca da vida era só uma questão de tempo para quase tudo ser possível nesse domínio. No final do século XX e princípio do século XXI foram alterados os códigos genéticos de espécies vegetais e animais para fins alimentares. Também, entre outras possibilidades, foram feitos novos medicamentos com base em alterações genéticas e a clonagem de animais.

A resistência à engenharia genética no final do século XXI passou a ser uma questão política importante sobretudo depois de começarem a ser alteradas espécies com o objectivo de produzir melhores animais de estimação. Diversos partidos políticos foram formados contra o uso da engenharia genética e alguns governos caíram com base nesta questão.

O clima político “aqueceu” ainda mais quando começaram a ser realizadas alterações no património genético humano. Por exemplo, modificações genéticas encomendadas por futuros pais em relação aos seus descendentes. O fanatismo religioso teve um grande impulso e os assassinatos com base nessa questão tornaram-se uma prática habitual.

Porém, apesar de toda a oposição à prática de alterações genéticas em seres humanos passou a ser rotina por três razões. Primeiro, a medicina actuava, em grande parte dos casos, sobre os efeitos e não sobre as causas das doenças. Por exemplo, em relação à miopia eram recomendados óculos e operações aos olhos com laser para corrigi-la sem alterar as causas ao nível do ADN. Essa medicina permite a muitos indivíduos sobreviver e/ou reproduzirem-se o que de outra forma não aconteceria. Isso tem como consequência a transmissão ao longo das gerações de genes com defeitos que tendem a agudizar-se.

Segundo, a evolução dos computadores. Por um lado, a lei de Moore1 continuou a funcionar durante todo o século XXI. Por outro lado, os computadores passaram cada vez mais a utilizar processos similares aos do cérebro humano. Sem uma rápida evolução da humanidade, os computadores deixariam de ser controláveis por serem demasiado inteligentes.

Terceiro, a aplicação da engenharia genética na espécie humana trouxe grandes vantagens aos que utilizaram essa capacidade em primeiro lugar. Algumas das vantagens directas foram um aumento da longevidade, maior inteligência e uma melhor visão. Tornou-se assim difícil fechar a caixa de Pandora depois de aberta. Os benefícios eram demasiado vastos para serem colocados de lado.

Até ao século XXIV a espécie humana continuou a ser a espécie humana. Melhorada é certo mas essencialmente a mesma. Doenças genéticas (com excepção de um pequeno grupo de fanáticos) como a dos pèzinhos eram apenas um lembrança do passado.

No final do século XXIV a nanotecnologia (manufactura molecular) sugerida pelo vencedor do prémio Nobel da Física Richard Feynman em 1959 tornou-se uma realidade consistente e economicamente viável. A engenharia genética sofreu um grande salto com isso. Mesmo a alteração de genes em indivíduos humanos já desenvolvidos (adultos) tornou-se possível.

Uma das primeiras consequências da nanotecnologia na engenharia genética foi tornar possível tempos de vida indefinidos. Naturalmente cada ser humano tinha a sua noção do que deveriam ser os próximos passos da evolução e tinham todo o tempo do mundo para aplicá-los no seu corpo.

No espaço de um século surgiram alguns milhares de indivíduos que não se podiam cruzar naturalmente com os ainda membros da humanidade. Depois quase todos os individuos da humanidade se tornaram espécies de um só elemento ao realizarem inúmeras alterações no património genético.

1 Duplicação da capacidade de processamento dos computadores de ano para ano.

E-nigma mexe

2007-07-23 17:56 | Em Feeds FC&F (sites externos) | Administrator | Comentários Desligados

Ainda não será um regresso ao activo, mas o E-nigma deu sinais de vida, com a publicação de dez novas críticas. São deitados os olhos sobre os livros A Vocação do Círculo, de Daniel Tércio, Robur, o Conquistador, de Júlio Verne, Rainha dos Anjos, de Greg Bear, A Teia, de João Aniceto, As Trevas Fantásticas, de David Soares, A Verdadeira Invasão dos Marcianos, de João Barreiros, Devorador, de Gregory Benford, O Búzio de Nacar, de Carlos Correia, Objecto Quase, de José Saramago e A Escalada do Ser, de Maria de Lurdes Mendes da Costa.

Novidades não tão novas assim

2007-07-21 18:40 | Em Feeds FC&F (sites externos) | Administrator | Comentários Desligados

“Meio gás” significa que não será de esperar uma actividade particularmente elevada no ficcao.online por estes tempos. Mas o mínimo dos mínimos, a fronteira entre o meio gás e o gás nenhum, é um post ou dois por mês.

Bem, aqui está o de Julho, com algumas coisas dignas de registo.

Foi notícia nos últimos tempos a morte de Fred Saberhagen, autor norte-americano pouco representado na edição portuguesa, apenas com um romance e uma colectânea. Não foi, no entanto, o único falecimento recente na FC americana: outro autor, bastante mais obscuro, também morreu em fins de Junho: Sterling E. Lanier, autor que entre nós publicou apenas um conto.

Também notícia foi a publicação por Luís Filipe Silva de uma edição em PDF da sua colectânea premiada, O Futuro à Janela, com o extra de uma introdução nova.

Na edição de traduções há demasiadas novidades para falar nestes posts de meio gás, até porque até que o Bibliowiki tenha a transferência de dados concluída a atenção posta no que vai saindo não é grande. Apesar de saber que esse é um dos pontos em que este site poderá ter mais interesse, a manutenção de um olho atento ao máximo possível de edições não é coisa que se possa fazer a menos que se esteja a funcionar em pleno.

Para breve, há três coisas previstas: a divulgação dos resultados do 1º concurso de contos de terror do CTLX, prevista para dia 26 do corrente, novidades no E-nigma, e o início da divulgação dos detalhes da edição deste ano do Fórum Fantástico, provavelmente lá mais para Setembro. O FF tem já datas marcadas para de 8 a 10 de Novembro, nas instalações da Universidade Lusófona.

“O Paradigma de WIRT”

2007-07-17 14:48 | Em Feeds FC&F (sites externos) | Luís Santana | Comentários Desligados

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