No Final,

2009-11-28 16:03 | Em Destaques, Feeds FC&F (sites externos) | LFS | Comentários Desligados No Final, restam as memórias e os momentos de encantamento. Nada mais nos dará a Ficção Científica: nem foguetes nem imortalidade nem colónias espaciais nem inteligências artificiais nem cidades automatizadas nem biodomos nem contactos imediatos nem viagens no tempo nem portais para outras dimensões. Tudo isto depende da realidade, cujo enredo independente não segue os padrões de nenhum género nem cumpre as expectativas dos leitores que aprisiona. Da Ficção Científica apenas retiraremos as pequenas incursões de cada descoberta ficcional e os sonhos que as imagens temáticas nos inspiram. Nesta missão humilde surge a revista como veículo, como cápsula de histórias - condensada, regular, laboratorial. A Ficção Científica desapareceu do quotidiano porque já não acreditamos nos heróis interestelares, porque os rapazes já não sonham em se tornarem nos astronautas do próximo século. O futuro não sobreviveu ao ano 2000 e agora existimos num posfácio - ou, melhor: no volume intermédio de uma trilogia, aquele pastelão de monotonia que serve apenas de ponte entre um início promissor e uma conclusão (esperemos) magnífica.

Eis uma destas viagens pessoais. A pergunta que gostaria de ver respondida é: ficarão estas saudades pelas capas da Panorama, da DH Ciência, da Livros de Bolso PEA, da Argonauta, da Caminho, da Bang!, Nova e Phantastes?

Títulos fantásticos

2009-11-26 15:34 | Em Sem categoria | Octávio dos Santos | Nenhum comentário

Gary Dexter é um jornalista e escritor inglês que tem um blog denominado «How books got their titles» (além de dois livros, intitulados «Why Not Catch-21?» e «The Oxford Despoiler). Nele são regularmente mencionados livros (mais ou menos) famosos e se explica qual o motivo, a explicação, a causa por detrás dos seus respectivos títulos – frequentemente, e inevitavelmente, também se esclarece a origem dos livros propriamente ditos.
Como não podia deixar de ser, entre os livros mencionados por Gary Dexter encontram-se bastantes que cabem nas categorias de FC & F. Assim, e para começar, referimos hoje (alguns d)aqueles que se podem considerar «clássicos» – isto é, algo antigos. Por ordem alfabética em inglês: «Alice’s Adventures In Wonderland»; «Doctor Faustus»; «Frankenstein»; «Gargantua And Pantagruel»; «Gulliver’s Travels»; «The Divine Comedy»; «The Picture Of Dorian Gray»; «Utopia».

E Depois Das Enfadonhas

2009-11-21 15:05 | Em Feeds FC&F (sites externos) | LFS | Comentários Desligados E Depois Das Enfadonhas notícias sobre contos e publicações minhas, eis algo verdadeiramente notório: uma simulação animada sobre a possibilidade de a Terra ter anéis orbitais parecidos aos de Saturno.

Como poderão observar, são imagens belas e poéticas. A filosofia, a religião e possivelmente a nossa forma de encarar o planeta teria sido diferente. Decerto que os anéis, vistos da superfície terrestre, não seriam tão uniformes como a simulação, apresentariam desigualdades ou imperfeições na superfície - imperfeições que rodariam em torno do planeta em órbitas mais céleres que a da Lua, que seriam estudadas na antiguidade e que, talvez, conduzissem os antigos gregos às leis da mecânica celeste que só milénios mais tarde Newton sintetizaria matematicamente. Imperfeições que ajudariam os navegadores oceânicos do passado a ultrapassar o problema de determinar correctamente a longitude e assim facilitiariam as expedições aquáticas a grande distância, contribuindo para uma conquista mais rápida da globalização. Talvez o heliocentrismo nunca tivesse sido popularizado - embora desconfie que, existindo nós no interior de tais anéis, certos temas religiosos, como o Paraíso e a ascensão a planos superiores, se tornassem mais intensos. Os homens adaptariam as palavras dos textos religiosos para acomodar o fenómeno das alturas. Imaginariam seres a habitar os anéis, anjos ou demónios ou simplesmente observadores que criticariam o comportamento humano. E os signos não precisariam de encontrar padrões nos céus estrelados e ligariam o destino das gentes e das nações à conjunção particular de cada traço, cada círculo do anel. Sem esquecer, obviamente, que estes seriam designados à exaustão - uma palavra para os anéis iluminados, uma para os anéis na sombra da Terra, uma para os anéis na transição entre sombra e dia, uma para cada cor e tom e forma...

Não foi contemplada na simulação mas imaginem os anéis a tombarem sobre o nosso horizonte atlântico, e como teria sido uma imagem mais evocadora que os espaços urbanos de Paris e Nova Iorque e Madrid...

Nem tudo seriam rosas, obviamente. A luminosidade dos anéis dificultaria o estudo das constalações e dos planetas (pelo menos em algumas latitudes) e a radiação reflectida talvez aquecesse o planeta a ponto de atrasar o surgimento da vida. Sem dúvida que a nossa História teria sido diferente.

Fica no entanto a confirmação que se pode ter uma ideia própria da Fantasia, especular sobre a sua possibilidade a nível da Ficção Científica e daqui tecer Literatura. Sinceramente, não entendo, por vezes, a necessidade dos confrontos entre os géneros.

Não Há Fome Que Não Dê

2009-11-21 14:19 | Em Feeds FC&F (sites externos) | LFS | Comentários Desligados Não Há Fome Que Não Dê em fartura e que não regresse à fome novamente. Num espaço de poucas semanas, depois da publicação de «Dormindo com o Inimigo» na Galeria do Sobrenatural, como devidamente relatado anteriormente, eis que volto a ter a honra e o prazer de ombrear com os colegas brasileiros numa série de antologias que promete dar que falar: Imaginários, da Editora Draco. Estes dois primeiros volumes nascem de um projecto com dois anos de idade e outro nome, e como podem ver pelas capas, é uma colecção que se pretende destacar desde o primeiro instante (as ilustrações das capas seguem muito de perto o estilo de bande dessiné que se encontra no mercado francês da literatura fantástica). Organizada por Saint-Clair Stocler, Eric Novello e Tibor Morizc, reune neste dois volumes, além dos próprios organizadores, Gerson Lodi-Ribeiro, Giulia Moon, Jorge Luiz Calife, Ana Lúcia Merege, Carlos Orsi, Flávio Medeiros, Roberto de Sousa Causo, Osíris Reis, Martha Argel, Davi M. Gonzales, Richard Diegues, João Barreiros, Jorge Candeias, Alexandre Heredia, Sacha Ramos e o decano da Ficção Científica brasileira, André Carneiro. Entretanto, António Luiz Costa, da Carta Capital, já percorreu estes territórios imaginários e apresenta um relato da viagem. Exceptuando a minha própria participação (uma versão actualizada do subtil «A Casa de um Homem»), tudo boas razões para ler, diria... 

Entretanto, no mercado nacional (luso), sairá outro inédito, «Não é o Que Ignoras o Motivo da Tua Queda Mas o Que Pensas Saber», numa antologia de brinquedos terríficos, a par com os grandes nacionais: David Soares, João Barreiros e João Ventura: Brinca Comigo! E Outras Estórias Fantásticas Com Brinquedos, da editora Escrit'orio, a nova designação da ex-Chimpanzé Intelectual (que passará a emprestar a designação à colecção de fantástico). Uma antologia de terrores e assombrações da infância, que deverá estar nas bancas até ao início de Dezembro.

Já não vos faltarão ideias para este Natal (wink wink nudge nudge)...

Para A Malta Editora:

2009-11-19 11:59 | Em Feeds FC&F (sites externos) | LFS | Comentários Desligados Para A Malta Editora: carimbos de alívio. Para a malta autora, carimbos de humildade. [via Bruaá]






«Avatar» de hoje a um mês!

2009-11-17 11:35 | Em Sem categoria | Octávio dos Santos | Nenhum comentário

É no próximo dia 17 de Dezembro que estreará – em Portugal e um pouco por todo o Mundo – o novo filme de James Cameron: «Avatar». Até lá, informações e opiniões sobre este projecto podem ser encontradas no sítio oficial do filme, na página do mesmo no Internet Movie Database e no Avatar Movie Zone (um portal não-oficial feito por fãs), entre muitas outras fontes disponíveis. E ainda: o meu artigo «As múltiplas dimensões de James Cameron», publicado no jornal Público no ano passado.

Tertúlia: “Second Life: Imaginação e Realidade”

2009-11-16 17:33 | Em Destaques, Espaço Tertúlia | Luís Richheimer de Sequeira | 2 comentários

Tertúlia hoje dia 16 de Novembro, às 18h30, na sala 0.32 do campus do IST-Taguspark, tendo por tema “Second life: Imaginação e Realidade”.

Depois De Suportar

2009-11-15 23:23 | Em Feeds FC&F (sites externos) | LFS | Comentários Desligados Depois De Suportar a difícil travessia pela prosa insalubre de Stephen Baxter em «The Turing Apples» (um enredo banal a respeito de mais um contacto SETI misturado com alguns toques interessantes de uma família disfuncional) e pelo enredo inesperadamente irritante de «From Babel's Fall'N Glory We Fled» de Michael Swanwick (cujo Dragons of Babel espera pacientemente na lista do meu Sony Reader), eis que o último Year's Best de Gardner Dozois ofecere finalmente uma pérola que encarna os tempos áureos da Ficção Científica: «The Gambler», de Paolo Bacigalupi.

O conto tinha sido já alvo de debate online e Bacigalupi é um dos mais notórios (e raros) jovens autores do género com a capacidade de misturar uma perspectiva não-americana com uma atitude racionalista sobre o futuro. Aqui apresenta-nos uma visão muito pessoal de um conflito interior entre culturas e atitudes, entre a forma de vida americana que toda a Europa, e em particular Portugal, se encontra a imitar e a ditadura oriental de onde o protagonista é originário, igual a tantas outras ditaduras e que evoca os encontros proibidos e prisões a meio da noite descritas nos assustadores discursos de esquerda da nossa infância. Acima de tudo, não tem receio de apresentar-se enquanto comentário político e forte crítica social sobre o sistema de valores desse futuro (que melhor se diria: presente). Longe de ser apenas mais um conto com vestes de antecipação mas cujo cerne não passa de uma situação de costumes ou uma senda policial - contos nos quais a sociedade proposta, não existindo como personagem mas somente  como cenário, jamais é posta em causa -, é uma experiência emocional, como o deve ser toda a ficção, uma postura que questiona, incomoda e tece uma nova perspectiva sobre os nossos comportamentos. Está tudo aqui: culturas em diferentes estágios de evolução, um olhar sobre o valor e a liberdade do indivíduo numa sociedade complexa, a ilusão da tecnologia, e uma postura final - escolher-se de que lado do rio da demagogia ficamos.

Não há FC desta qualidade em língua portuguesa. Quase já não encontramos FC deste tipo em língua inglesa. Anda toda a gente bem comportada para poder receber uma prenda do Pai Natal Nielsen Bookscan. A raridade deve ser apreciada enquanto dura. Melhor do que descrevê-lo é ler o conto na íntegra, por suas próprias palavras. Neste blogue não encontram textos de apoio para estudantes indolentes.

Cool!

2009-11-14 22:41 | Em Feeds FC&F (sites externos) | LFS | Comentários Desligados Cool! Vejam até ao final. Eis finalmente explicado o motivo pelo qual nenhum viajante do tempo conseguiu matar Hitler.

(Exemplo do que falávamos há pouco: história bem escrita, humor, dinamismo e criatividade, aliados a baixo orçamento.)

Nestes Tempos De Reprodução

2009-11-14 22:24 | Em Destaques, Feeds FC&F (sites externos) | LFS | Comentários Desligados Nestes Tempos De Reprodução do mito do vampiro (houvesse mais reinvenção e menos reprodução e encontraríamos outras pessoas a bordo) é saudável encontrar quem procure outras temáticas literárias para apreciar à luz do modernismo. Este Alice, cuja fonte de inspiração não é necessário explicar, em formato mini-série do canal SyFy a estrear em inícios de Dezembro, tem o potencial para constituir uma grande história, se os criadores não efectuarem demasiados compromissos com as «sensibilidades» do público.

Para mim, a melhor reinvenção da Alice continua a ser Dreamchild, o filme baseado na peça original de Dennis Potter, na qual uma Alice idosa se questiona sobre as suas memórias de Lewis Carroll e dos acontecimentos da sua infância. O texto é fabuloso e os episódios de flashback lançam a dúvida possível sobre a integridade moral do reverendo escritor e a ambiguidade que subsistiu na memória da rapariga. Visualmente é um filme datado (1985) e o trailer não lhe faz jus, embora os bonecos continuem a ser perturbantes.

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