Desde o inicio dos Tempos que a espécie Humana sente necessidade de medir o Tempo. Existem mesmo, achados arqueológicos de ossos de animais, com incisões que parecem indicar sequências lunares, que datam de 30 000 A.C.! Naquela altura, os caçadores ao ficarem fora da comunidade durante longos períodos de tempo, necessitariam de uma medição qualquer que lhes indicasse há quanto tempo estavam ausentes… Mais tarde a fim de poder coordenar as suas actividades agrícolas, com a altura certa do ano, a Humanidade, começou a criar formas mais rigorosas de contabilizar o tempo. Com a observação dos astros várias culturas fizeram os seus calendários, uns Solares, outros Lunares. Algures, apareceu o nosso, e na verdade, não sendo ele também um calendário correcto a 100%, houve a necessidade de se introduzir 1 dia a mais, de quatro em quatro anos, os anos bissextos… Tudo isto se baseia nos ciclos da Lua e astronómicos, sendo o nosso calendário a junção, possível do calendário Solar, com o Lunar.

Contudo, além da necessidade de dividir esses ciclos, também foi preciso dividir o dia em períodos, sendo os mais conhecidos a hora que tem 60 minutos, o minuto que tem 60 segundos, etc… Mas quanto é um segundo? Qual a definição do segundo? Pois bem, estipulou-se, que a duração do segundo seria 1/86400 do dia solar médio do ano de 1820… Até aqui tudo bem. Na verdade ao longo dos tempos, os vários acertos e a marcação dos relógios era feita através de medições de posicionamento dos astros. Com as descobertas tecnológicas, criaram-se os relógios atómicos. São relógios que têm uma cadência muito precisa (atrasando-se apenas 1 milésimo de segundo ao fim de centenas de anos!), baseada no spin de um átomo muito estável. Porém, como é obvio as observações astronómicas não pararam e a verdade é que já há largos anos que se sabe que a rotação da Terra tem vindo a abrandar sendo os nossos dias cada vez maiores, duma forma imperceptível para nós, no nosso dia-a-dia, mas bem notória quando se vive na Era dos Computadores e as medições do tempo e astros são cada vez mais precisas.

Portanto, basicamente é necessário, de tempos a tempos, introduzir os chamados “segundos intercalares” para no fundo fazer com que a diferença entre o Tempo Universal Coordenado (o que é derivado do tempo medido nos relógios atómicos) e o Tempo baseado na observação da rotação da Terra, seja inferior a 1segundo. Este ano, foi mais um dos anos ‘eleitos’ para novo acerto. Decidiu-se portanto, a introdução de mais um segundo no último minuto de 2008. Sabemos que os minutos têm 60 segundos, contando com o 00, o relógio marca até aos 59 segundos. Mas hoje, ao último minuto o relógio marcará até aos 60 segundos, tendo então a sequencia: 23h59m58s; 23h59m59s; 23h59m60s; 00h00m00s <<== Aqui sim, podem gritar correctamente “FELIZ ANO NOVO!” 😉

Notas:
* O atraso na rotação da Terra deve-se ao afastamento da Lua.
* Embora este atraso seja imperceptível ao comum dos mortais, no seu dia-a-dia, é muito bem perceptível em escalas de tempo maiores, calcula-se que na altura dos Dinossauros, o dia tinha cerca de 22hrs!!!
* Em Portugal a entidade responsável pela Hora Legal é o Observatório Astronómico de Lisboa.
* Este ano, também foi ano bissexto! Ou seja, teve um dia e um segundo a mais!!! Atenção que o facto de ser bissexto é só uma curiosidade, não sendo apenas em anos bissextos que este acerto ocorre.
* Sendo os nossos relógios normais, vamos todos começar o Ano Novo com os relógios adiantados 1Segundo!

Dito isto, só me resta finalizar o meu última post deste ano, com 366 dias mais um segundo, tão difíceis para muita gente, mas com os votos de um Feliz 2009, e que seja um ano em pleno para vós, mesmo que tenha menos, claro está, um segundo! 😉

Raul Mendes

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