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As Leituras do Corvo :: Novidades Saída de Emergência para Janeiro

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As Leituras do Corvo

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Bem-vindos a Lisboa!
Bem-vindos à maior cidade da Europa livre, bem longe do opressivo império germânico. Deslumbrem-se com a mais famosa das jóias do Ocidente! A cidade estende-se a perder de vista. O ar vibra com a melodia incansável da electricidade.
 Deixem-se fascinar por este lugar único, onde as luzes nunca se apagam, seja de noite, seja de dia. Aqui, a energia eléctrica chega a todos os lares providenciada pelas fabulosas Torres Tesla.
Nuvens de zepelins sobem e descem com as carapaças a brilhar ao sol. Monocarris zumbem por todo o lado a incríveis velocidades de mais de cem quilómetros à hora. O ar freme com o estímulo revigorante da electricidade residual. Bem-vindos ao século XX!
Lisboa no Ano 2000 recria uma Lisboa que nunca existiu. Uma Lisboa tal como era imaginada, há cem anos, por escritores, jornalistas, cientistas e pensadores. Mergulhar nesta Lisboa é mergulhar numa utopia que se perdeu na nossa memória colectiva.

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O enigmático e sedutor professor Gabriel Emerson é um reputado especialista na obra de Dante. Mas à noite dedica-se a uma vida de prazer sem limites, não hesitando em usar a sua beleza de cortar a respiração para manipular as mulheres a satisfazerem cada capricho seu.
Talvez por isso se sinta torturado pelo passado e consumido pela crença de que está para lá de qualquer salvação.
Quando a jovem Julia Mitchell se inscreve como sua aluna de pós-graduação, Gabriel não consegue ficar indiferente. Ela é linda, deliciosamente inocente, um diamante em bruto para ele polir. Sempre que Julia se apercebe do olhar de predador dele, espera sentir receio, mas o que verdadeiramente sente é uma estranha luxúria que a assusta. Desejando desesperadamente possuí-la, Gabriel põe em perigo não só a sua carreira, como ameaça desenterrar segredos de um passado que preferia manter oculto.
Uma história inebriante sobre amor proibido, luxúria e redenção, O Inferno de Gabriel retrata a jornada de um homem que procura escapar do seu próprio inferno pessoal enquanto tenta conquistar o impossível: perdão e amor.
 Um livro obsessivo e viciante como As Cinquenta Sombras de Grey.

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 A autora bestseller do New York Times, Beth Kery, agarra-nos com um romance inebriante como nenhum outro — onde as regras do desejo são quebradas, noite após noite…
No instante em que Francesca e Ian se conhecem, a atracção é mútua; uma carga requintadamente física incendeia ambos. Para Ian, ela é o tipo de mulher a que ele não resiste: inocente e pura. Para Francesca, ele é o tipo de homem que ela mais teme e deseja: sombrio, extremo, autoritário, e interdito. O que se passa entre eles não pode ser ignorado — apenas acatado, evoluindo para um inevitável vínculo.
 De um jacto particular para um interlúdio em Paris, de um ousado encontro num museu público para a intimidade de um hotel de luxo, Francesca e Ian estão um com o outro sempre que o desejo se torna premente. Mas à medida que a relação deles fica mais intensa, Francesca descobre algo a respeito de Ian — e dela própria — que altera para sempre o jogo e os jogadores. É algo com que eles nunca contaram, algo que lhes faz girar as vidas, delirantemente fora de controlo…

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Um cargueiro japonês cruza o Atlântico oriental perto dos Açores quando irrompe em chamas. Um bando de piratas avança para se aproveitar da catástrofe, mas o seu barco explode. Que se passará? Qual a relação com o rapto de um cientista de topo nas ruas de Genebra? Com a deserção de um russo misterioso ocorrida sessenta anos antes? Com a descoberta de um extraordinário cemitério submarino de navios e aviões dispersos sobre o fundo marinho?
Quando Austin, Zavala e o resto da equipa iniciam a investigação, vêem-se arrastados para as ambições mirabolantes de um ditador africano, para a criação de uma arma com capacidade destrutiva quase mítica e para um plano de audácia inimaginável para chantagear as principais potências mundiais.
O castigo pela recusa? A destruição das maiores cidades do planeta. Começando por Washington, D.C...
 Repleto de suspense intenso e da criatividade quase ilimitada que são exclusivas de Cussler, Inferno nos Açores é um dos livros mais emocionantes do grande mestre da aventura.

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 Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo.
Um império dominado por um povo austero e intolerante.
Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino.
Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.

A luta apocalíptica contra os Mein terminou. Uma vitoriosa Corinn Akaran reina no Império Acaciano do Mundo Conhecido. Apoiada no seu conhecimento de artes mágicas do livro A Canção de Elenet, ela reina com mão de ferro. E reconstruir um império desgastado pela guerra não é fácil. Das misteriosas Outras Terras, chegam à corte notícias inquietantes, e Corinn envia o seu irmão, Dariel, como emissário pelos mares tempestuosos das Encostas Cinzentas.
 Ao chegar àquele distante continente, este antigo pirata é apanhado numa rede de velhas rivalidades, ressentimentos, intrigas e uma crescente deslealdade. A sua chegada provoca um tal tumulto que o Mundo
Conhecido é de novo ameaçado pela possibilidade de invasão — algo que tornaria os anteriores perigos numa brincadeira de crianças. Sem aparentes obstáculos, um novo ciclo de acontecimentos que irá arruinar e remodelar o mundo está prestes a começar…

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E de repente, vinte anos passaram desde que nos reunimos, pela primeira vez, para explorar a nossa obscuridade, usando a música como voz. Dentro destas páginas, encontrarão um modesto relato, feito a partir de um ponto de vista privilegiado de episódios seleccionados da história dos MOONSPELL, cruciais para entender os ambientes e o crescimento dos mais ilustres embaixadores portugueses do Metal Gótico. Ficarão a saber que a história de uma banda é bem mais do que sangue, suor e lágrimas. Que é, de facto, feita de actos de fé, de pressão interior e exterior quase insuportável, de recompensas que envergonham os deleites de qualquer Paraíso.
Saberão o que é ser um português no Mundo; como gravações em Londres podem despoletar a loucura artística. Conhecerão o fim de cumplicidades, pulverizadas pelos caprichos de egos; o preço a pagar pela ingenuidade; as viagens intermináveis que atingem sempre um qualquer destino. Bemvindos a um mundo escuro, apaixonante, feito de compromissos e de humanidade, onde os lobos têm coração, a religião pecado, onde borboletas destroem edifícios, onde a escuridão envenena a esperança. Onde há uma taça cheia de antídoto prestes a tornar-se memória de uma noite eterna.
Onde Alpha e Omega se seduzem para se tornarem um só. Ilustrada dramaticamente por uma série de fantásticas fotografias, esta é a história nunca contada dos MOONSPELL. A loucura que a Lua cheia instala. Desfrutem.

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 Conheçam Aidan O’ Conner.
 Uma celebridade generosa que tudo oferecia e nada pedia em troca… até ser enganado pelos que o rodeavam. Agora Aidan nada quer do mundo ou sequer fazer parte dele.
 Quando uma estranha mulher aparece à sua porta, Aidan sabe que já a viu antes… nos seus sonhos. Uma deusa nascida no Olimpo, Leta nada sabe do mundo dos humanos.
Mas um inimigo implacável expulsou-a do mundo dos sonhos e para os braços do único homem capaz de a ajudar: Aidan. Os poderes imortais da deusa derivam de emoções humanas, e a raiva de Aidan é todo o combustível que precisa para se defender…
Uma fria noite de inverno irá mudar as suas vidas para sempre…
Aprisionados durante uma tempestade de inverno brutal, Aidan e Leta terão que conquistar a única coisa que os poderá salvar a ambos – ou destruí-los – a confiança. Conseguirão triunfar sobre todos os obstáculos?

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 Não basta a minha língua para dizer amo-te.
Por isso repito-o em todas as línguas do mundo.
Para que o sintas todos os dias da tua vida.

Amo-te.

A mais bela palavra do mundo.
Abre portas, conquista corações,
termina guerras, une vidas.
Nunca será demais repeti-la.

Amo-te.

Amo-te sempre e de todas as maneiras.
E amo-te em todas as línguas do mundo.

As Leituras do Corvo :: Novidade Quetzal

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As Leituras do Corvo

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Irma Voth foi banida pela família depois de ter casado com um mexicano que a abandonou porque, diz ele, ela não soube ser uma «boa mulher». 
Jorge partiu sem outras explicações, não sem antes lhe ter dado uma lanterna nova – objecto de extrema utilidade num lugar onde as noites são de escuridão total.
Esta é a história de Irma Voth: pouco mais do que adolescente, criada numa comunidade menonita do Canadá e,  depois,  nas montanhas da Sierra Madre. Vive numa casa abandonada e vê a mãe e as irmãs às escondidas do pai.
Um dia, uma equipa de filmagens instala-se na vizinhança para rodar um filme sobre  as comunidades  amish e menonita  – e Irma  é  convidada  a trabalhar com o grupo na qualidade de intérprete da protagonista, uma actriz alemã. Este  contacto irá despertar em Irma  a consciência de si mesma e libertá-la da solidão e do silêncio que tinham dominado a sua vida. É então que parte para a Cidade do México em busca de uma nova identidade. De uma vida totalmente inesperada.

Miriam Toews nasceu no Canadá e, à semelhança da protagonista deste romance, cresceu numa comunidade menonita. Toews é jornalista e autora premiada de vários livros de ficção (e não ficção) em que tem explorado o universo das suas origens:  A Complicated Kindness,  The Flying Troutmans, Swing Low: a Life, por exemplo. A breve incursão que fez no cinema, no filme  Luz Silenciosa do mexicano Carlos Reygadas, um filme sobre o choque cultural entre uma  equipa de filmagens vanguardista e uma comunidade rural anabatista e em que  Toews desempenhou um dos papéis principais femininos – experiência que inspirou Irma Voth  –, foi assinalada com a nomeação para melhor actriz dos prémios Ariel. Miriam Toews vive actualmente em Toronto.

A Lâmpada Mágica :: Lido: A Atracção Principal

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A Lâmpada Mágica
A Atracção Principal (bib.) é mais um dos contos que Steven Bauer adapta a partir de histórias criadas por outros, desta vez por Steven Spielberg. A história é uma sucessão de clichés atrás de clichés; uma daquelas típicas histórias liceais americanas, com os seus joguinhos de popularidade, os seus jocks, os seus nerds, os riquinhos e os pobretanas. Toda a gente está farta de conhecer histórias destas, e toda a gente já está farta de saber que, como os escritores, os criadores, os cineastas, passaram quase sempre a escola encerrados na timidez e na impopularidade, aprendendo aquilo que mais tarde vão usar para se tornarem escritores, criadores e cineastas, enquanto as cabeças ocas da popularidade se resumem a isso, no fim o jock acaba humilhado e o nerd vingado. Banalidade total. O tom de comédia sem piada só piora, o enredo movido a "meteoritos magnéticos" é, basicamente, idiota, e a tradução desfaz o resto. Péssimo.

Contos anteriores deste livro:

As Leituras do Corvo :: A Grande Paixão de Jesus Cristo (Lagoas da Silva)

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As Leituras do Corvo
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Filho de Maria e, alegadamente, de José, Jesus nasceu em Belém e cresceu com a consciência de que, descendente da casa de David, tinha a legitimidade para ser rei dos judeus. A sua relação com Maria Madalena seria parte essencial do que o faria lutar. Mas Jesus - esse homem tão diferente do mito - tinha ideias de mudança que eram intoleráveis para os poderes instituídos. As suas acções subversivas seriam vistas com receio pelos líderes da sua fé. Seria possível, pois, mesmo com a lealdade dos seus seguidores, fugir a um destino negro?
Tendo como ideia geral a reconstrução de um mito, transformando-o numa história puramente humana, este é um livro que tem como ponto forte a distância que estabelece entre a narrativa bíblica e a sua própria versão das coisas. Em primeiro lugar, a presença do divino é discreta, e estabelecida apenas em referências à fé das personagens. Além disso, a ascendência de Jesus nunca é apresentada como divina, ainda que haja, de facto, um mistério associado ao seu nascimento. Isto basta como base para definir a humanidade deste Jesus e, assim, para estabelecer as diferenças no seu rumo. E, a partir daqui, o que se segue é uma história em que uma infância normal, ainda que com as suas naturais tribulações, dá lugar a um rumo de acção em que o sistema é, de facto, questionado, mas em que as motivações são completamente diferentes das da mensagem instituída. Tudo é diferente, portanto, e é isso que mais cativa neste livro.
Não é, ainda assim, uma leitura compulsiva. A escrita é envolvente, quanto baste, mas toda a história é vista pelos olhos de um narrador que conhece todos os pensamentos e emoções das personagens, mas que os apresenta num tom algo distante. Não há, assim, grande empatia para com as personagens, mesmo tendo em conta a história de afectos que liga Jesus a Maria Madalena. Além disso, o ritmo pausado resultante de uma forte componente descrita e alguns exageros no ponto de vista do narrador contribuem também para acentuar essa distância. Há vários momentos interessantes, mesmo assim, sendo de destacar a forma como alguns episódios bíblicos - como a fuga para o Egipto, ou a própria Crucificação - são moldados num contexto completamente diferente.
A impressão que fica deste livro é, portanto, a de uma história que, não sendo construída da forma mais cativante, com a sua narração algo densa e a distância com que os acontecimentos são apresentados, surpreende, ainda assim, pela perspectiva diferente que cria para a história de Jesus. E é isso, principalmente, que o torna uma leitura interessante.

As Leituras do Corvo :: Novidades Planeta

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As Leituras do Corvo

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Na sociedade do período da Regência, espera-se que as mulheres casem jovens, governem a casa e sejam vistas, não ouvidas. No entanto, estas senhoras dificilmente fazem o que se espera delas… 
Lady Cecily Francis está resignada a tornar-se esposa de Lorde Drury,  o homem por quem desconfia que a irmã nutre uma paixão secreta.  Porém, depois do seu primeiro encontro escandaloso com o exótico conde de Augustine – o americano de quem toda a gente fala em surdina –, Cecily fica intrigada com a possibilidade de uma vida mais excitante. Se ao menos conseguisse arranjar casar com o pouco convencional conde… 
É conhecido na cidade por Conde Selvagem. Embora tenha herdado o título de forma legítima – e, com ele, a responsabilidade pelas suas três  meias–irmãs –, Augustine é meio-americano e meio-iroquês. Mal pode esperar para pôr em ordem o património do pai, casar as irmãs e regressar à sua terra natal. Até que a encantadora Lady Cecily o leva a considerar uma prolongada estada em Inglaterra… 

Emma Wildes cresceu a devorar livros e a escrita nasceu naturalmente.  A autora costuma dizer que adora escrever porque adora ler.  Estudou na Universidade de Illinois é e licenciada em Geologia.Vive em Indiana com o marido e três filhos. 
Foi a autora n.º 1 do Fictionwise, WisRWA Reader’s Choice Award, vencedora na categoria de Romance Histórico em 2006, do Lories Best Published, e em 2007 vencedora do Eppie para o melhor romance erótico.  


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Por que falhamos tanto no amor? 
Por que tanta gente escolhe a pessoa errada 
e mergulha em relações tão perigosas e irracionais?
Por que nos resignamos a relações dolorosas? 


Para dar resposta a todas estas perguntas, o reconhecido psicólogo  e especialista em relações de casais, Walter Riso dá-nos as ferramentas e as estratégias para ajudar a identificar e a enfrentar os amores mais perigosos. 
Não encontrará aqui as melhores regras para viver com certo tipo de pessoa, mas aprenderá a estabelecer tempos de reflexão para compreender melhor a sua relação e deslindar até onde se justifica lutar ou não por ela. 

Acreditamos que o amor é infalível e esquecemos algo elementar                  para a sobrevivência amorosa: nem todas as propostas afectivas são convenientes para o nosso bem-estar. 
Gostemos ou não, algumas formas de amar são francamente insuportáveis e esgotantes. 
Escrito numa linguagem simples, clara e acessível, Amores Altamente Perigosos é dirigido a qualquer pessoa que queira repensar a sua vida afectiva e fazer do amor uma experiência satisfatória.

Walter Riso nasceu em Itália, em 1951. Era ainda muito jovem, quando  a família emigrou para a Argentina e aí cresceu num bairro multiétnico, no seio de uma comunidade de emigrantes italianos.  
Estudou psicologia na Universidade de Colômbia, movido pela sua constante curiosidade e inquietação. Especializou-se em terapia cognitiva e fez um mestrado em bioética. Desde há trinta anos, exerce psicologia clínica, actividade que alterna com o exercício da cátedra universitária e a realização de publicações científicas e de divulgação em diversos meios. 
Os seus livros cumprem o objectivo a que se propôs: o de criar uma vacina contra o sofrimento humano, ao propor estilos de vida saudáveis nas diferentes etapas da vida. O êxito dos livros de Walter Riso é esmagador. 
Actualmente reside em Barcelona.  


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Uma adolescente recebe um bilhete escrito pelo pai, depois da sua morte.  
Uma voz nítida e calma ajuda uma mãe  a salvar a vida do filho às portas da morte.  
Uma premonição evita que um jovem casal entre num autocarro de turismo que se despenha, matando dezenas de pessoas.  
Estes e outros relatos notáveis contidos neste livro são uma prova de que coisas extraordinárias podem acontecer, e acontecem mesmo, a pessoas comuns, curando e transformando as suas vidas durante esse processo. 
Vindos do nada, no nosso mundo conturbado, os nossos anjos podem enviar-nos do outro lado mensagens necessárias de conforto, de compaixão, de bondade e de amor. 
Com este guia, a especialista em anjos Theresa Cheung ensina  a reconhecer a presença destes seres na vida diária e a compreender  as mensagens angélicas que nos ajudam a fazer escolhas.  
Juntamente com informações sobre anjos-da-guarda, arcanjos, espíritos e entes queridos que partiram, podemos também ficar a saber muito sobre a natureza e propósito destas entidades divinas, o que podem e não podem fazer e como chamá-las em tempos de crise.  

Theresa Cheung nasceu numa família de espiritualistas com poderes psíquicos. Desde que se formou no King’s College, em Cambridge, tem estado envolvida no estudo sério dos fenómenos paranormais, há mais de 25 anos, tendo sido aluna do College of Psychic Studies, em Londres.  
É autora de diversos livros, incluindo o best-seller internacional  The Element Encyclopedia of 20,000 Dreams, bem como The Element Encyclopedia of the Psychic World, The Element Encyclopedia  of Birthdays e Working with Your Sixth Sense.
Os seus livros já foram traduzidos em mais de 20 línguas e objecto de artigos nas revistas It’s Fate, Spirit and Destiny e Prediction.  Colaborou também em livros de Derek Acorah, Yvette Fielding  e Tony Stockwell. 
Editou em Portugal, na Planeta, os livros Um Anjo Chamou por Mim, Um Anjo a Meu Lado e Como Ver, Ouvir e Sentir os Nossos Anjos.


A Lâmpada Mágica :: Leituras de 2012

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A Lâmpada Mágica
Em 2012, mais uma vez, não li tanto como nos antigamentes em que não traduzia, embora tenha lido mais do que no ano anterior, ano que, por sua vez, teve leituras mais abundantes do que no que o antecedeu. Desta vez, o número relativamente escasso de livros lidos é culpa de um inverno e um início de primavera de leituras muito pouco abundantes, atrasadas por um par de romances compridos e muito chatos — até entrar maio tinha lido apenas três livros, menos de um por mês. Depois disso, as coisas entraram num ritmo mais acelerado, ainda que não tanto como nos bons velhos tempos. Mas acabo o ano com uma porção de livros meio lidos que são um belo avanço das "leituras de 2013". Na verdade, se somar as páginas já lidas de todos os livros que tenho em leitura é bem capaz de chegar às duas mil. E esse é outro motivo para o número relativamente baixo de livros lidos este ano: há uma dezena que transita para o ano que vem.

No que toca a géneros foi um ano variado, com um pouco de muita coisa, ainda que tenha pendido mais para a ficção científica do que para o resto. Também li mais horror do que costumava ser hábito, quase todo clássico (ou neoclássico). E li BD, o que já não fazia há anos e anos, embora não por iniciativa própria. A verdade, contudo, é que nada se sobrepôs realmente ao resto: nem os livros de FC, que foram a maioria, chegaram à maioria absoluta. E isso é bom.

Os livros propriamente ditos, lidos por lazer mas todos comentados na Lâmpada ao longo do ano, foram bastante mais do que no ano passado, tendo somado 29. A lista completa é a seguinte:

1- O Tesouro da Rainha do Sabá, de Nuno Júdice (noveleta surrealista);
2- Vaporpunk, org. por Gerson Lodi-Ribeiro e Luís Filipe Silva (contos e novelas steampunk);
3- O Mistério da Estrada de Sintra, de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão (romance mainstream com toques de policial);
4- A Erva Vermelha, de Boris Vian (romance com aspetos de mainstream, ficção científica e surrealismo);
5- Ensaio Sobre a Lucidez, de José Saramago (romance fantástico com toques de ficção científica);
6- Titus: O Herdeiro de Gormenghast, de Mervyn Peake (romance de fantasia fortemente surrealista);
7- A Peste Negra, de Gomes Leal (ficção curta fantástica);
8- Barroco Tropical, de José Eduardo Agualusa (romance de ficção científica distópica);
9- Terrortório, de vários (contos de terror);
10- O Silmarillion, de J. R. R. Tolkien (um romance e vários contos de fantasia);
11- Contos Galácticos, de James Blish (contos de ficção científica);
12- Contos Espantosos, de vários autores (contos fantásticos e mainstream);
13- A Noite e o Sobressalto, de Pedro Medina Ribeiro (contos de horror);
14- Contos Encantados, de vários autores (contos de fantasia e mainstream);
15- Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho (romance histórico);
16- Antologia de Contos Temáticos, organizada por Henry Alfred Bugalho (contos fantásticos e mainstream);
17- Anjos Pistoleiros, de Paul McAuley (romance de ficção científica);
18- O Planeta Vermelho, de Russ Winterbotham (romance de ficção científica);
19- À Boleia Pela Galáxia, de Douglas Adams (romance de ficção científica humorística);
20- Antologia do Conto Fantástico Português, org. por E. M. de Melo e Castro e Fernando Ribeiro de Mello (contos fantásticos);
21- Os Jogos do Capricórnio, de Robert Silverberg (contos de ficção científica);
22- Contos Lendários, de vários autores (contos de fantasia);
23- Invasores Terrestres, de Robert Silverberg (romance de ficção científica);
24- O Melhor do Desafio Operário, org. Ana Cristina Rodrigues (contos de ficção científica e fantasia);
25- O Fim do Sr. Y, de Scarlett Thomas (romance fantástico);
26- Julieta, de Pinheiro Chagas (conto de horror);
27- Contos Misteriosos, de vários (contos fantásticos e mainstream);
28- Forças do Mercado, de Richard Morgan (romance de ficção científica);
29- História do Futuro, do Padre António Vieira (texto retórico e teológico)


A acrescentar aos livros li também revistas, que funcionam praticamente como se fossem antologias periódicas e portanto também contam para o total. E já tinha dito isto no ano passado. Foram é metade das do ano passado; duas em vez de quatro:

30- E-zine BBDE, nº 1 (fanzine com contos e poemas fantásticos e mainstream);
31- Asimov's, nº 326 (revista com contos e poemas de ficção científica e alguma fantasia)

Por fim, e de novo tal como no ano passado, li alguns livros por obrigação laboral. No ano anterior tinham sido dois, este último ano foram cinco. Ei-los:

32- The Hedge Knight, de George R. R. Martin, Ben Avery, Mike S. Miller e Mike Crowell (BD de fantasia medieval);
33- Sworn Sword, de George R. R. Martin, Ben Avery e Mike S. Miller (BD de fantasia medieval);
34- Windhaven, de George R. R. Martin e Lisa Tuttle (romance de ficção científica)

Espera lá, deve estar o belo do leitor atento a dizer neste momento, não eram cinco? Eram, pois eram. Mas há dois de que só vos falarei para o ano. Porquê? É cá comigo.

Livro do ano? Desta vez é fácil: Forças do Mercado, do Morgan. Já decidir quem o acompanha no habitual trio de leituras em destaque é mais difícil. Provavelmente escolheria Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde e o Ensaio Sobre a Lucidez, com O Fim do Sr. Y e Barroco Tropical não muito atrás. Curiosamente, são só romances... embora Vaporpunk também estivesse nesta lista caso não contivesse uma novela minha.

Quanto às piores leituras do ano, não li nenhum daqueles livros sem qualidades que se destacam claramente dos demais. Mesmo aquela publicação que de facto se destaca das demais, o E-zine BBDE, nº1, contém algumas coisas interessantes. Tirando este ezine, e embora tenha havido vários outros livros de que não gostei, os piores deste ano que passou são todos melhores do que os piores de 2011. Mesmo assim, a escolha de três não é fácil. O Planeta Vermelho tem de constar da lista, suponho, mas quanto ao outro... hesito. Talvez A Peste Negra, seguida de perto pela Antologia de Contos Temáticos e pelo Tesouro da Rainha de Sabá.

E quanto a 2012 estamos conversados. Venha 2013.

As Leituras do Corvo :: Os Reis Vencidos (Robert Holdstock)

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Uma nova sombra paira sobre Taurovinda. Mais uma vez, os Mortos e os Não-Nascidos estão por perto e as suas intenções parecem ser hostis. Estalagens entre os dois mundos acabam de ganhar forma e todos falam de uma presença ameaçadora que deseja controlar o território. Quem é, ao certo, esse líder desconhecido, ninguém parece saber. Mas o Argo, o navio que acompanhou Merlim e Jasão em tantas viagens, está de volta e o espírito que o habita parece atormentado. O navio esconde um segredo e ainda não está pronto para o revelar. Mas a única forma de salvar o reino de Urtha é embarcar numa nova viagem, para uma ilha com muitos elementos semelhantes aos que surgem em Taurovinda. E esperar que, na jornada através do tempo e das memórias, o Argo esteja pronto a revelar os seus segredos e a responder à vontade do seu primeiro capitão.
De ritmo ainda mais pausado que os anteriores, este é o livro em que o rumo das personagens mais se distancia dos seus objectivos iniciais. A busca de Jasão pelos seus filhos ficou tão completa quanto possível em O Cálice de Ferro e, por isso, é agora Urtha, no seu combate à ameaça que paira sobre o seu reino, quem mais tem a perder com os possíveis resultados da jornada dos protagonistas. O que não afasta, de modo algum, o papel de Jasão nos acontecimentos. A sua presença permanece, ainda que de forma mais discreta, e a sua oposição a Medeia sofre, ainda, alguns desenvolvimentos inesperados, que acabam por revelar tanto o melhor como o pior das personalidades de ambos, bem como as características na base da sua união passada.
Não é Jasão o centro do conflito, mas tem, apesar disso, um papel essencial nas razões para o que está a acontecer. O foco, ainda assim, está no Argo e a revelação das ligações que o unem às várias personagens é a base de alguns dos momentos mais marcantes da história, incluindo algumas das mais importantes revelações do final. Há, portanto, uma conjugação de elementos e personagens que, desde o início, surgiram como protagonistas essenciais, com outras cuja relevância cresce com o evoluir do enredo. Neste livro, é Alba o cenário de muitos dos acontecimentos, sendo aqueles que lhe pertencem os que mais evoluem. E se a história se cruza, em muitos aspectos, com as aventuras de Jasão, também é em Alba que se esconde parte das revelações essenciais que levam a que, no fim, tudo faça sentido.
Há muito a acontecer e muitas influências cruzadas. Medeia é apenas um dos muitos elementos que dão forma a uma vingança longamente planeada. Assim, a história evolui a ritmo lento, dispersando por diferentes elementos e possibilidades, algumas das quais só se concretizam bastante mais tarde. Isto faz com que alguns momentos mais parados, principalmente no início, criem também alguma confusão, já que a sua razão de existir parece dúbia. No final, contudo, todos os elementos se cruzam, e muito pouco é deixado por explicar, tanto para o que está a acontecer em Alba, como para o que liga Merlim, narrador e suposto protagonista de presença discreta, a tudo e a todos os que o rodeiam.
Importa, ainda, referir uma notável evolução de algumas personagens, que partem de uma percepção algo fechada da vida - elevando acima de tudo as suas vontades - para crescer no sentido de um conhecimento mais global. Sem por isso perder os traços característicos da sua personalidade, como é evidente em Kymon, com a sua rebelião a dar lugar a uma ambição mais sensata, e até no próprio Merlim, cujo sentido de auto-preservação, questionado de tantas formas, acaba de servir de base a um momento particularmente inesperado - e comovente - no final.
Pausado, mas com uma história envolvente e personagens carismáticas e de personalidades complexas, Os Reis Vencidos apresenta um enredo rico em revelações, com a magia de uma multiplicidade de mundos a fluir com naturalidade através da voz do seu tão antigo, mas tão humano protagonista. E assim conclui, culminando num final intenso e emotivo, uma história cativante e com muito de bom. 

As Leituras do Corvo :: Histórias do Tejo (Luís Ribeiro)

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As Leituras do Corvo
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Caminho para a chegada de rainhas e para uma fuga urgente durante as invasões francesas. Cenário de revoltas e batalhas, mas também encanto e musa de vários poetas. Assim foi o Tejo, ao longo da história, assumindo diversos papéis consoante as circunstâncias, sendo constante, acima de tudo, a sua presença, tanto nos grandes acontecimentos como nos simples costumes do quotidiano de outros tempos. Um rio com História. Com muitas histórias, que neste livro são contadas.
Com uma boa organização por tipos de acontecimento e uma exposição sucinta, mas bastante clara, de cada um dos eventos narrados, este é um livro que transmite uma ideia bastante clara da importância do Tejo, tanto para os moradores das proximidades, como num contexto mais global. Mas é também um livro em que cada história individual se completa em si mesma e, aí, a organização do livro por temas e por casos permite, numa segunda leitura ou na busca por algo mais específico, localizar facilmente a história que se procura. Este é um dos seus pontos positivos, já que tanto é possível - e bastante interessante - ler o livro de ponta a ponta, como procurar pelo tema mais interessante, sem por isso perder parte da informação.
Há uma contrapartida, claro. Uma vez que há acontecimentos ou elementos do contexto histórico que são relevantes para mais que uma das situações apresentadas, estas acabam por ser referidas, com mais ou menos detalhe, por mais que uma vez. Há, portanto, alguma informação repetida ao longo do livro, e esta é facilmente detectável. Mas esta repetição faz sentido, na medida em que permite que cada situação seja lida sem necessidade de informações de contextualização referidas noutros casos.
Todas as histórias são apresentadas em poucas páginas. Não há, por isso, uma exposição muito detalhada do contexto ou das circunstâncias. No que toca ao essencial, contudo, nada falta. Cada situação é descrita de forma simples e sucinta, mas com toda a informação necessária para ficar com uma ideia bastante clara da situação que é narrada. Nalguns casos, fica a curiosidade em saber mais, naturalmente. Mas a informação mais relevante está lá.
De referir, por último, a diversidade de temas e situações que, aliadas à boa organização do livro, contribuem para passar a imagem da importância do Tejo ao longo do tempo e nas mais diversas circunstâncias. Dos grandes acontecimentos históricos aos gestos do quotidiano, passando pelas lendas sobre a origem de Lisboa e a influência sobre as musas dos poetas, a presença do Tejo é vasta e diversa e também isso é facilmente perceptível a partir das muitas situações aqui narradas.
Trata-se, portanto, de um livro que, não sendo muito complexo, tem, ainda assim, muito de interessante. Organizado, com uma escrita agradável e um conjunto bastante complexo de situações a enfatizar a importância do rio ao longo dos tempos, vale a pena ler estas Histórias do Tejo.

Das palavras o espaço ::

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Das palavras o espaço

Viagem no Tempo


“Os labirintos que cria o tempo (...)”

Terminada a sessão da oficina de escrita criativa, Carlos Neves fechou o moleskine, guardou a caneta e saiu da sala.
 “Viagens no tempo!”, pensava ele. “Estes tutores têm uma falta de imaginação! E eu com tanta coisa que fazer, como vou arranjar tempo para escrever um conto de 3 páginas sobre viagens no tempo. Já está tudo escrito sobre viagens no tempo!”
E com estes pensamentos sombrios, onde dominava a sensação angustiante da falta de tempo, Carlos ia caminhando em direcção à estação do Metro, passando em revista mentalmente todas as tarefas que o aguardavam quando chegasse à Faculdade: duas aulas para preparar, uma tese de mestrado e dois trabalhos finais de curso para ler, testes para corrigir... Ia ser uma semana infernal!
Chegou ao fim do dia cansadíssimo, e com um montão de tarefas ainda inacabadas. Jantou no restaurante que fica na esquina da rua onde mora, aceitando a sugestão do empregado - “a carninha à jardineira está muito boa, sotôr” - e empurrando a comida com uma cerveja.
Entrou em casa e esparramou-se no sofá da sala, sem se dar ao traba lho de ligar a televisão. Foi então que os seus olhos pousaram sobre o livro que tinha trazido de casa da tia Leocádia.
                 
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Aquela tia sempre fora o membro da família mais freak. Apaixonada por tudo o que cheirasse a esotérico, já tinha viajado até à India e ao Tibete, e andava sempre pelos alfarrabistas à procura de livros antigos sobre magia, ocultismo e coisas semelhantes. Quando era miúdo, Carlos adorava ir a casa dela, porque ela vestia umas roupas esquisitas e havia sempre uns objectos estranhos em cima das mesas e velas ou paus de incenso a arder. Era um sítio fixe!
Há cerca de 15 dias, desapareceu. Deixou de telefonar ao irmão, já velhote, que começou a ficar preocupado e contactou Carlos. Este foi com o tio a casa de Leocádia. Entraram e tirando algum pó sobre a superfície dos móveis, tudo parecia normal, até chegarem à cozinha. Aqui encontraram no chão de tijoleira um círculo com cerca de um metro de diâmetro feito com pedrinhas, no exterior do qual, e na direcção dos 4 pontos cardeais, estavam posicionados quatro pequenos castiçais onde pareciam ter ardido completamente as velas. E na bancada da cozinha havia um livro de capa preta de aspecto antigo.
O tio resmungava: “Esta Leocádia, sempre com a mania das magias e dos feitiços. Onde é que se terá metido?”
“Tio Januário, não se preocupe, a tia provavelmente foi viajar e não se deu ao trabalho de avisar, parece que não conhece a sua irmã, amanhã ou depois recebe um postal dela de Katmandu ou da Patagónia ou de outro sítio desses”, ia dizendo Carlos para sossegar o velhote.
Abriu o livro e verificou que as páginas estavam escritas à mão, numa caligrafia regular e bonita, que imediatamente reconheceu ser a letra da sua tia. A primeira página tinha um título, em gótico caligrafado: “Compilação de Feitiços”. Meteu o livro debaixo do braço e levou-o

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Carlos foi ao armário no canto da sala, pegou num copo de balão e serviu-se de uma dose generosa de brandy. Colocou no leitor de CDs o “Concerto para clarinete” de Mozart e sentou-se novamente no sofá. Bebeu um gole de brandy, pousou o copo e pegou no livro da tia Leocádia.
Começava com um índice, listando metodicamente os feitiços constantes do livro. Vagamente divertido, Carlos foi lendo uma longa sequência de feitiços, para fazer aparecer o sol num dia de chuva, para encontrar objectos perdidos, para eliminar o mau olhado causado por inveja, para influenciar outra pessoa numa reunião de negócios... E foi quando já estava a achar um pouco monótona aquela longa sucessão de receitas que Carlos chegou a uma linha que o fez parar: “Feitiço para voltar atrás no tempo sabendo o que sei hoje”.
Era a solução para os seus problemas, pensou Carlos. Recuando uns dias, uma semana seria bastante, teria tempo para fazer as coisas que se acumulavam com os prazos perigosamente curtos, entre elas escrever o estuporado conto sobre Viagens no Tempo.
Foi fácil encontrar o feitiço, porque a tia tinha paginado o livro, usando numeração romana (!), a meio do topo de cada página. E Carlos começou a ler:

No chão de pedra o círculo temporal
com 5 palmos através
desenharás com fuligem de queimar madeira.
Ao Norte e ao Sul porás sal;
Ao Este e Oeste porás cinza.
No centro te colocarás e não
poderás ter metal sobre ti.
Chamarás então as forças temporais
lendo a seguinte invocação
:
      Tempo que existes desde antes do princípio
      Tempo que existirás depois do fim
      Através de ti passa tudo o que se sente
      Leva-me para trás ____ voltas do Sol
      Mas só o meu corpo, não toques na minha mente.

Pareceu a Carlos uma receita fácil de executar. E resolveu passar à acção. Foi à lareira que tinha funcionado pela última vez na noite da passagem do ano, e recolheu alguma cinza, que guardou num envelope. Foi à cozinha e tirou o saleiro do armário onde guardava os temperos. Voltou à lareira e retirou três ou quatro fragmentos de madeira carbonizada. Levou tudo para o hall da entrada, única divisão do apartamento que tinha o chão de pedra, todas as outras tinham soalho de madeira, e a cozinha e casa de banho eram pavimentadas com mosaico. Tirou ainda da despensa um rolo de corda que tinha comprado para substituir a do estendal da roupa, substituição essa que constituia um dos seus projectos sucessivamente adiados.
Cuidadosamente mediu então cinco palmos de corda, que cortou. Dobrou esse pedaço de corda ao meio, e utilizou essa corda dupla como um compasso primitivo que lhe permitiu, usando um pedaço de madeira carbonizada, traçar no chão de pedra um círculo com o diâmetro requerido.
Foi ainda buscar uma bússola para localizar os pontos cardeais e lá colocou o sal e a cinza como escrito no feitiço.
Tirou as chaves do bolso, o relógio do pulso e o anel do dedo, e descalçou-se, não fosse dar-se o caso de as anilhas metálicas dos atacadores dos sapatos afectarem o processo. Verificou se estava tudo em ordem, pegou no livro, colocou-se no meio do círculo e o seu último pensamento antes de começar a ler a invocação foi que para, entre outras coisas, escrever um conto sobre Viagens no Tempo ia ele próprio viajar no tempo!
E leu a invocação às forças temporais, terminando com “Leva-me para trás sete voltas do Sol / Mas só o meu corpo, não toques na minha mente.”
Carlos não sentiu que alguma coisa se tivesse passado. Inconscientemente, estava à espera de luzes, barulho, nem ele sabia o quê.
Saiu do círculo, calçou-se com alguma dificuldade – doeram-lhe as articulações dos joelhos – e quando se levantou sentiu uma tontura. Além disso, ao passar a língua pelos dentes detectou uns intervalos estranhos.
Foi à casa de banho, e quando se olhou no espelho sobre o lavatório, sentiu um choque: aquela imagem não era ele! A cara cheia de rugas, o cabelo ralo e totalmente branco, e quando abriu a boca logo verificou a falta de vários dentes. Tinha envelhecido!
Carlos regressou à sala para se acalmar. Pegou novamente no livro da tia e leu com atenção o feitiço que tinha acabado de fazer, para ver se inadvertidamente teria falhado algum passo do procedimento. Mas não, tinha seguido tudo à risca. Foi então que reparou no canto inferior direito da página uma pequenina seta. Virou a folha e no topo da página de trás estava escrito:

Aviso muito importante!
O recuar no tempo afecta o delicado equilíbrio do mundo. Antes de voltar atrás no tempo, o praticante deve primeiro realizar um feitiço que proteja o seu corpo das consequências maléficas desse desequilíbrio provocado, fazendo essas consequências ser descarregadas sobre as almas do Inferno, a quem não fará grande diferença esse acréscimo nas penas.

E seguia-se o texto que devia ser lido com essa finalidade, e que Carlos já nem leu, porque obviamente não iria funcionar depois do recuo temporal!
Portanto as “consequências maléficas” do tal desequilíbrio tinham-no feito envelhecer uns quantos anos. Diabo de “delicado equilíbrio”!
Respirou fundo duas ou três vezes, e pegou novamente no livro, para continuar a ler o Indice. A tia Leocádia era completamente maluca. Tinha copiado feitiços como quem copia receitas de cozinha! Feitiços para fazer um pardal cantar como um rouxinol, para se tornar invisivel (este tinha um aviso que dizia ser o efeito limitado no tempo), para fazer desaparecer os cabelos brancos (não seria melhor uma visita ao cabeleireiro, pensou Carlos) e subitamente encontrou um título que dizia “Feitiço para viajar ao tempo que ainda não foi”.
Deve ser um processo para viajar ao futuro, pensou ele. Talvez eu possa avançar os 7 dias que recuei e reverter esta situação. A página era a LXIII, e Carlos começou a folhear o livro quase em pânico até chegar à página LXV; e a anterior era a LXII; e um calafrio percorreu-lhe o corpo enquanto lentamente se convencia de que faltava a folha correspondente às páginas LXIII e LXIV.
E de súbito, como num filme, reviu a cozinha da tia Leocádia, o círculo de pedras no chão, as velas queimadas, e a conclusão foi óbvia: a tia tinha de facto viajado, mas para o futuro. E tinha rasgado a folha do livro para que mais ninguém o pudesse fazer!
Carlos suspirou, e decidiu ir deitar-se. No dia seguinte teria que telefonar para uma clínica a marcar um check-up; não sabia quantos anos teria envelhecido, mas o estado dos seus dentes não pressagiava nada de bom. E teria de arranjar uma explicação plausível para o seu novo aspecto.
Raios partissem a tia Leocádia!

A Lâmpada Mágica :: Ano novo

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A Lâmpada Mágica
Há uma quantidade enorme de anos, quando este blog era um bebé e eu me entretinha a alimentá-lo com o que a minha cabeça maluca ia retirando dos títulos dos spams que recebia por email, também aconteceu — por estranho que isso pareça a quem vive permanentemente no presente — um ano novo. E o meu spam, simpaticamente, acompanhou a efeméride, fornecendo-me um título que, embora cliché, era muito adequado ao acontecimento: Ano Novo, Vida Nova. Ou algo do género. Com base nesse título e no que eu há muito vinha sentindo sobre este deprimente país em que vivemos, escrevi o seguinte spamema:

Ano novo vida nova

Ano novo
vida nova
bota o ovo
para a cova

Dorme o povo
e não acorda
porque o polvo
se renova

Ano novo
vida nova?
Uma ova!


Isto foi escrito em 2003. Estamos em 2012. Mudou alguma coisa?

Bem, sim, mudou: estamos muito pior do que estávamos nessa época. Com o pior presidente da história da democracia e o pior governo da história da democracia e a pior situação económica da história da democracia gerada por décadas e décadas de roubo organizado por todos os cleptocratas que se foram infiltrando em tudo quanto é partido do dito arco do poder. O arco dos canalhas. O arco dos burlões. O arco da corja imunda e repugnante. O arco dos Relvas, descarados como o Relvas ou mais discretos como os muitos Relvinhas que poucos conhecem mas apodrecem todo o bocadinho da nossa vida coletiva em que têm oportunidade de tocar. O polvo de que ali falava, precisamente.

E o povo, esse, deu tímidos sinais de que talvez, eventualmente, com alguma sorte pudesse vir a acordar, sinais esses corporizados no melhor dia de todos os últimos 365: o 15 de setembro.

Pois o meu desejo, meus caros, é que 2013 seja o ano em que esse povo semidesperto, semiconsciente, semi-informado, semi-inteligente, acorde mesmo. Mesmo. É esse o meu desejo. A esperança, essa, é pouca.

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