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Um dos contos que integram o meu primeiro livro a ser publicado (em 2003), «Visões», intitula-se «Decreto-Lei Nº 54», e descreve, sob a forma de uma (obviamente) fictícia nova norma emanada de um qualquer governo e utilizando – ou tentando utilizar – uma «linguagem político-jurídica» que habitualmente caracteriza os textos inseridos no Diário da República (aliás, foi daí que eu retirei a inspiração, a ideia, neste caso), a criação de uma nova instituição estatal, incluindo os seus motivos e os seus objectivos: o «Instituto de Apoio ao Suicídio», abreviadamente… e apropriadamente designado de «IAS».

Aquele meu texto pretendeu ser (mais) um «exercício de absurdo» em que a minha obra de estreia é de facto pródiga, e que António de Macedo, na sua introdução-prefácio, tão bem descreveu. Então, e até recentemente, acreditava que tal entidade, ou actividade, só poderia existir no domínio da (mais distorcida, ou retorcida) imaginação. Porém, seria previsível que a – verdadeiramente «sinistra» – esquerda «liberal» e «progressista» norte-americana, agrupada principalmente no Partido Democrata, mais tarde ou mais cedo, e à semelhança de outros conceitos «fantásticos» (?), de outras «utopias que na verdade se revelam depois serem distopias, faria os possíveis e os impossíveis para a tornar realidade.

E assim foi… na Califórnia, como não podia deixar de ser, terra onde nenhuma loucura é inaceitável, Estado que cada vez mais se afigura como uma gigantesca Disneyland de depravação: o Departamento de Saúde Pública do (cada vez mais «nublado») «sunshine state» decidiu criar, na sequência da aprovação do «End Of Life Option Act», uma linha telefónica gratuita que tem como objectivo prestar informações sobre como… pôr termo à vida; além disso, a California Medical (uma versão estadual do Medicaid) poderá pagar, a cada doente com comprovados menores recursos financeiros, até 5400 dólares para aquisição das substâncias químicas (porque «medicamentos» parece-me ser uma palavra desadequada aqui) necessárias para provocar a morte. No total, cerca de 2,3 milhões de dólares do orçamento californiano para 2016 est(ar)ão reservados para aquela despesa «eutanasiante» (e quiçá… entusiasmante para alguns), no que é mais uma iniciativa da equipa do incansável – no mau sentido – governador Jerry Brown…

… Que, efectivamente, não se cansa de multiplicar, com os seus muitos (demasiados) «camaradas» na Califórnia, as formas e os meios que lhes permitam criar as condições para um autêntico suicídio colectivo – e, se não físico, pelo menos, e primeiramente, mental. Na verdade, há que registar ainda a decisão da cidade de Richmond em pagar até 12 mil dólares a ex-presidiários para não cometerem assassínios com armas de fogo. Isto para não falar da proliferação de «cidades-santuário» como São Francisco, em que criminosos que sejam imigrantes ilegais não são entregues pelas autoridades locais às federais para serem deportados – algo que já causou vários homicídios, como o de Kate Steinle, e outros delitos menos graves. Outro factor de autodestruição generalizada, não tanto física mas sim mais financeira, não imediatamente perceptível mas inevitável, inexorável, nos seus efeitos (negativos, como a diminuição do emprego e a estagnação económica), é o aumento – acentuado e não sustentado – do salário mínimo… algo que até Jerry Brown é capaz de entender e de admitir.

A concretização – para já, e de que eu tenha conhecimento, apenas na Califórnia – de um «Instituto de Apoio ao Suicídio» é tão só mais uma demonstração de que aquilo que vários escritores de ficção científica imaginaram corre o risco de se tornar… não ficção; e, infelizmente, os aspectos negativos dessas previsões parecem sobrepor-se aos positivos. No âmbito político e social, estas «inovações» da esquerda americana não vêm apenas comprovar mais uma vez, como se tal ainda necessário fosse, de que o Partido Democrata é a mais antiga organização criminosa dos EUA, que continua a ter como principal missão, e tarefa, a promoção, a prática e a protecção de crime e de criminosos – esta de pagar àqueles para não assassinarem deveria ser suficiente para eliminar as dúvidas que eventualmente permanecessem; também vêm comprovar que, de um modo mais abrangente, mundial, a «sinistra» está apostada em proceder ao aniquilamento gradual da civilização ocidental, para tal recorrendo a métodos directos e indirectos, rápidos e lentos, concretos e simbólicos: massificação facilitada, financiada e incentivada do aborto e da eutanásia; «normalização» e até imposição da homossexualidade em todas as áreas da vida pública; cedência crescente à radical infiltração (demográfica e ideológica) muçulmana; restrição das liberdades de expressão e de associação, em especial (mas não só) nos estabelecimentos de ensino; aplicação de políticas de retrocesso económico alegando como causa o inexistente, fraudulento, «aquecimento global antropogénico».

A todos os soldados dos novos totalitarismos, qual exército de zombies que nem as – muito criativas – mentes de autores como Aldous Huxley, Anthony Burgess, George Orwell, e outros, conseguiram prever, deve-se pelo menos começar por se dizer o que Nancy Reagan aconselhava que se respondesse aos traficantes de droga: «não». (Também no Obamatório.)

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