Ver filmes em casa é confortável, mas o ritual de ir a um cinema presta-se a uma imersão qualquer que pode tornar um simples filme num momento memorável. Por esta ou aquela razão, que não se prende apenas com o filme ele próprio, tive algumas experiências que também marcaram alguns filmes – nem sempre pela positiva.

Quando comecei a planear este artigo tinha pensado em listar 5 momentos sobre filmes de Scifi, mas a lista começou a crescer quase imediatamente, por isso deixem-me falar-vos de 10.

  1. 2001 A SPACE ODYSSEY – 2001 Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick

Eis um filme, que é hoje um dos meus favoritos, que não correu bem da primeira vez. Vi-o no cinema Tivoli, quando tinha 13 anos, numa reposição qualquer. Fui com a minha mãe,  e já não sei porque razão o fomos ver. Talvez por ser scifi. Lembro-me que fui eu que insisti. E levei uma seca horrível. Gostei da parte dos macacos, mas o resto foi extremamente aborrecido. Okay, tinha Espaço, okay, tinha naves. Mas tudo demorava eternidades e eu não percebia metade do que se estava a passar, e a minha mãe tão pouco. Tornou-se um dos piores filmes que já tinha visto na vida! Só anos mais tarde, quando voltei a ver o filme com outra maturidade é que me apercebi até que ponto tudo me tinha passado ao lado.

  1. DUNE, de David Lynch

Ainda hoje é um dos filmes de Lynch que eu não gosto. Fui vê-lo no Funchal, no Cine Casino, uma óptima sala que já não existe mas que, na altura, era a melhor da ilha. Tinha para aí 12 anos e fui com um grupo de amigos. Na altura adorei o filme. Os Vermes eram fantásticos e aquela ideia de os cavalgar era brilhante! Claro que fiquei a pensar naquilo durante muito tempo. Mas depois li os livros. E DUNE de Herbert, em livro, é das melhores coisas que há. O modo intimista como escreve ficou-me para sempre. Pelo contrário, DUNE de Lynch é um filme desequilibrado, com a primeira metade muito lenta e a segunda metade a 200 km/h. Consta que há uma versão de 4 horas por aí que eu nunca consegui encontrar, o que é pena, pois tenho a certeza que estará melhor.

  1. ALIENS, de James Cameron

Não vi ALIEN,  de Scott, no cinema, mas vi ALIENS. Ainda hoje é um filme que eu prezo muito. É um filme extremamente competente, como Cameron sabe fazê-los,  com um guião equilibradíssimo e cheio de momentos explosivos. Há um em particular que me lembro de ter tido um grande impacto no escuro do cinema, tinha eu 14 ou 15 anos. É o momento (SPOILER) em que o grupo de Ripley entra pela primeira vez no laboratório onde tinham estado a fazer experiências em aliens e alguém (julgo que Burke, a personagem de Paul Reiser) aproxima a cara de um dos tanques e o alien que ali estava salta de encontro ao vidro. A tensão acumulada naquele momento já era tal que metade da audiência naquele cinema quase gritou. Eu próprio dei um salto na cadeira.

  1. RETURN OF THE JEDI – O Regresso de Jedi, de Richard Marquand

Infelizmente, este foi o primeiro filme Star Wars que eu vi e vi-o no cinema, quando saiu, na tal sala fantástica do Cine Casino no Funchal. Adorei o filme. Adorei tudo no filme. Vi-o outra vez recentemente e acho que tem imensos problemas, mas para quando tinha 12 anos ou assim, foi o filme perfeito. Adorei. Mas infelizmente foi o primeiro filme Star Wars que vi e por isso nunca perceberei a surpresa total do momento ‘I am your father.’

  1. BLADE RUNNER, de Ridley Scott

Blade Runner é um filme que eu adoro. A primeira vez que o vi foi em VHS, em casa. Depois disso já o vi imensas vezes e tenho-o em DVD, muito depois de a cassete VHS se ter tornado num item de museu. Mas o momento de cinema a que me refiro é o momento em que fui ver a versão do realizador no cinema Nimas, vários anos depois de ter visto o filme pela primeira vez. O primeiro impacto não foi positivo. Vem-me muitas vezes à cabeça a primeira frase que ouvimos de Dekkard: ‘They don’t advertise for killers in the newspaper.’ Adoro essa frase. A voz off de Blade Runner é, para mim, um dos melhores exemplos de voz off bem sucedida, uma técnica tão vilipendiada pelos puristas do cinema. Mas logo no início da versão do realizador, a frase em off não surge. Scott retira tudo o que é voz off. Isso aborreceu-me logo. Até ter percebido que este era um filme completamente diferente. Com meia-dúzia de imagens e pormenores, Scott cria uma história diferente que a voz off só iria atrapalhar. Inclusive a ideia revolucionária de que (SPOILER) Dekkard é um replicant – algo impensável na versão original.

  1. A.I., de Steven Spielberg

Spielberg é um verdadeiro mestre do cinema. A sua versão high-tech de Pinóquio não é o meu filme preferido deste mestre. Gosto muito mais de JAWS, RAIDERS ou PRIVATE RYAN. Inclusive, E.T. foi uma experiência de infância que tive no cinema, tendo derramado lágrimas infindáveis. Vi A.I. no Monumental, já adulto, e teve em mim o mesmo impacto que E.T. – deixou-me em lágrimas. É embaraçoso, claro, estar a chorar no meio de um cinema (ainda por cima ao lado de uma amiga minha que estava calmíssima e intocada), mas só significa que o filme é bastante bom. Spielberg esmerou-se, mais uma vez. Ainda hoje a música brilhante de John Williams me comove.

  1. INTERSTELLAR, de Christopher Nolan

Fui vê-lo ao cinema e era um filme que eu tinha em grande expectativa. Nolan é um realizador de quem eu ainda hoje espero muito, tendo adorado INCEPTION. Inception é um filme que eu fui ver ao cinema, mas de que me tinha esquecido disso até estar a escrever este artigo. Ou seja, é um filme que eu adoro, mas que não marcou uma memória específica de ter ido ao cinema. Pelo contrário, lembro-me perfeitamente de ter ido ver INTERSTELLAR com dois amigos meus, amantes destas coisas. E estava a gostar imenso do filme, mas pouco a pouco foi perdendo o encanto. No final só tinha um grande sentimento de desapontamento. O terceiro acto é desastroso, com plot points metidos à pressão e cenas que parecem saídas da lata de conservas.  ‘Que pena’ disse eu no final da sessão.

  1. GRAVITY, de Alfonso Cuarón

Pelo contrário, GRAVITY foi uma experiência maravilhosa de cinema. Foi também o primeiro filme que eu vi em 3D. E que bom que foi, ver as canetas e outros objectos a flutuarem à minha frente. É um filme excelente e encheu-me as medidas. Foi uma daquelas vezes que saí do cinema com um sorriso nos lábios.

  1. ARRIVAL, de Denis Villeneuve

Eis outro filme que teve o mesmo efeito. Saí do cinema com um sentimento de prazer e satisfação. Foi, para mim, um dos melhores filmes de 2016, talvez o melhor candidato ao meu Óscar pessoal, e confirmou Villeneuve na minha cabeça como um realizador de excelência de quem espero muito no futuro. Sem dúvida um dos melhores filmes Scifi dos últimos anos.

  1. MATRIX, dos Wachowski

Adoro MATRIX, é um dos meus filmes favoritos. Mas o que o torna especial para mim é a incrível experiência que tive ao vê-lo no cinema. Fui vê-lo ao S.Jorge, com um amigo meu, depois de uma temporada em que tinha estado imerso em estudo e exames da Universidade. Só fui ver o filme porque o meu amigo insistiu, já que eu não tinha ouvido nada sobre o filme. Não tinha visto trailers, não tinha lido críticas, não sabia nada do que me esperava. E isso foi o melhor que me podia ter acontecido. Cada momento de MATRIX, cada twist, cada plot point foi completamente surpreendente para mim. À medida que o castelo de cartas se construía na tela, eu estava completamente deslumbrado. Adoro MATRIX pelo filme que é, mas a minha experiência com o filme foi melhor ainda.

E pronto, eis 10 momentos memoráveis que tive no cinema com Scifi. E vocês? Algum momento que queiram partilhar?

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