Seveneves de Neal Stephenson, um livro de 880 páginas escrito ao longo de sete anos, e composto por três partes distintas, será talvez um dos raros objectos literários que se propõe especular sobre cinco mil anos de história humana futura numa única obra.

Depois de sucessos já clássicos como Snow Crash (que descreve um futuro cyberpunk onde as pessoas se ligam a uma realidade virtual curiosamente muito parecida ao mundo social Second Life, cujos criadores admitem ter lido o livro) ou Cryptonomicon (que de certa forma anteviu as moedas criptográficas como o bitcoin), Stephenson revelou o seu lado mais compulsivo-obsessivo em mega-obras como The Baroque Cycle, uma série de oito livros em 3 volumes, publicados entre 2003-2004, que escapa a classificação: são romances históricos, ou história alternativa, ou talvez mesmo ‘baroquepunk‘ (a aplicação da tecnologia no início da ciência moderna dos finais do século XVII)? O certo é que Stephenson passou incontáveis anos em bibliotecas, em estudo de documentação histórica sobre o período, para que todos os pormenores, até ao mais irrelevante, fosse historicamente correcto – o que mesmo assim lhe dá margem para a liberdade criativa de colocar personagens históricas em contacto umas com as outras através de sociedades secretas, cuja existência não é histórica, mas podia ter sido… fazendo com que este ciclo seja de difícil leitura, onde pormenores factual e historicamente correctos se misturam habilmente com fábulas e criações do autor, sem ser claro onde termina um e começa o outro. O autor, no entanto, considera que a obra é de ficção científica, pois ele escreve «ficção sobre ciência»… no virar do século XVII para o XVIII.

Depois de Baroque Cycle, Stephenson presenteou-nos com Anathem, que o autor classifica de «ficção especulativa»: num mundo «paralelo» ao nosso, uma civilização com milhares de anos sobrevive graças a um conjunto de «mosteiros», onde, em vez de estudar teologia ou religião, os monges estudam ciência, filosofia e matemática. A história coloca o leitor submerso num mundo de estranhos rituais e regras arcanas, sem muito saber o que se está a passar; à medida que o enredo vai avançando, alguns pormenores tornam-se mais claros (nomeadamente uma explicação pela qual a ciência é estudada em mosteiros isolados do mundo «secular»: porque este desconfia dos cientistas, que, alegadamente, levaram o mundo a guerras que praticamente o destruiram). Outros, no entanto, nunca são revelados. Neste livro, Stephenson apresenta uma das suas principais paixões — a ciência — de uma forma verdadeiramente invulgar; e cabe ao leitor especular como seria viver num mundo em que a ciência fosse realmente preservada mas não utilizada no dia-a-dia…

A paixão de Stephenson pelos muitos aspectos da ciência é algo que vem de infância. Descendente de uma família de cientistas, Stephenson começou por estudar física, mas mudou a orientação principal para geografia, pois isso dava-lhe mais tempo de acesso ao mainframe da universidade. A sua capacidade especulativa sobre o futuro, bem como os seus conhecimentos de física, garantiram-lhe um trabalho em part-time para a empresa aeroespacial Blue Origin, de Jeff Bezos (fundador da Amazon.com), onde desenvolveu conceitos alternativos para enviar naves espaciais para órbita, mas, uma vez abandonadas as ideias mais «radicais», Stephenson depois apenas os ajudou a calcular órbitas para foguetes clássicos. É justamente parte deste material sobre alternativas de colocação de naves em órbita que o inspira a escrever Seveneves: uma novela de ficção científica hard core que começa nos nossos dias. Nem sequer se situa num «futuro muito próximo», como era característico dos autores cyberpunk, entre os quais Stephenson também se contou; não, o romance começa mesmo no tempo presente, onde as pessoas usam iPhones e iPads para acederem ao Facebook e ao Twitter. Não há aqui qualquer tentativa de transpôr o leitor para um universo paralelo ou alternativo: Seveneves começa aqui e agora.

Para os aficionados da hard core science fiction, este foi provavelmente o grande romance de 2015 (a versão paperback só saiu em 2016, que me ofereceram pelo Natal, mas só agora é que o consegui acabar de ler — não sou como o nosso Presidente da República que consegue ler um livro por dia, ou lá o que é 🙂 ). É que Seveneves, pelo menos nas duas primeiras partes, é mesmo muito hard core: é com o pormenor minucioso que nos habituou em The Baroque Cycle que Stephenson nos descreve como é viver em órbita da Terra. Esqueçam Gravity — se acham que era já demasiado hard core, apesar de duas ou três falhas, Seveneves vai incrivelmente mais longe, explicando os mais intricados detalhes da acoplagem de duas naves no espaço, partindo de órbitas diferentes. Vamos estar aqui submersos em delta-vees (velocidades) e matrizes de seis dimensões para descrever parâmetros orbitais. Vamos perceber porque é que certas ideias aparentemente geniais de alguns autores de ficção científica do passado na realidade seriam impossíveis no espaço; e à medida que o enredo vai avançando, Stephenson enche-nos com mais e mais detalhes, ao ponto em que já deixamos de perceber se ainda estamos a ler um romance de ficção científica ou um manual prático de engenharia aeroespacial.

Por vezes perdemo-nos claramente no enredo e não é nada óbvio o que está a acontecer — Stephenson usava o mesmo mecanismo em Anathem — pelo que o livro, em determinadas partes, tem um ritmo muito, muito lento. Sabemos de antemão que vão ser cobertos cinco mil anos de história da humanidade (porque está logo dito na contracapa…) mas ao fim de centenas de páginas, Stephenson ainda está a descrever-nos a acção dia após dia. É evidente que este ritmo não pode ser mantido da mesma forma ao longo de todo o livro, mas ainda no final da segunda parte, o maior «salto temporal» é de três anos, se não me falha a memória.

Este tipo de narrativa poder-nos-ia surpreender até percebermos as intenções do autor por trás do livro. Basicamente, Stephenson queria mostrar-nos um futuro totalmente credível sem ter de violar nenhuma lei da física. Mas por outro lado queria colocar todos os elementos das space operas mais populares: cidades flutuantes; batalhas no espaço; alienígenas (que falam um mau inglês e que até podem ter relações sexuais connosco!), primeiro contacto, exploração de planetas alienígenas, etc. etc. etc. Ora para montar isto tudo, Stephenson teve de estudar ao longo de anos como criar estes elementos todos de uma forma perfeitamente razoável. Depois de ter o material de base para estes, Stephenson concluiu que grandes viagens interestelares são impossíveis, pelo que não faz sentido estar a inseri-las na história. Portanto, a acção teria de decorrer no sistema solar. Mas mesmo o sistema solar é demasiado grande, e leva-se demasiado tempo a chegar aos seus limites; para além da dificuldade de contenção dos raios cósmicos e da perda de tónus muscular e outros problemas bem conhecidos que ocorrem aos humanos em longas viagens espaciais. Stephenson, pois, coloca a maior parte da acção muito próxima da Terra (ou seja, na sua órbita) e preocupa-se ao mais ínfimo detalhe em explicar como, com a tecnologia que temos, e o que sabemos da vida no espaço, poderemos vir a desenvolver algo que se aproxime de uma civilização espacial.

É claro que Stephenson tem noção que, nos dias que correm, não há motivação para construir essa «civilização», e por isso iremos provavelmente levar séculos até o fazermos; por isso, no seu romance, a primeira coisa que Stephenson fez foi criar um cataclisma iminente que irá fazer desaparecer toda a vida na Terra, e a solução para a sobrevivência da espécie humana está em ir o mais depressa possível para o espaço. Está fora de questão colonizar outros planetas ou pensar em complexas missões; Stephenson dá um prazo ultra-curto para o Apocalipse Final, e isso significa que pouco mais se consegue fazer do que atirar tudo o que temos para órbita — que não é tanto como isso — treinar à pressa dois milhares de pessoas como astronautas, e rezar para que chegue. Na verdade, Stephenson, provavelmente fã da Guerra dos Tronos, começa a matar grande parte das personagens, pelo que, a dada altura, ficamos na dúvida se a espécie humana acaba por sobreviver ou não… ou, sobrevivendo, se tem recursos que chegue para se auto-perpetuar no tempo. A solução de Stephenson é tão manhosa como engenhosa, mas assenta numa série de conceitos cientificamente válidos. Há apenas um certo optimismo no livro: na realidade, estamos tão pouco preparados para lidar com um Fim do Mundo iminente, que pessoalmente duvido que se conseguisse fazer tudo o que Stephenson considera necessário para termos uma chance, mesmo que pequena, de sobrevivência. Daqui por cinquenta anos — talvez. Mas agora? Temos, de facto, a tecnologia, mas não temos a motivação para a utilizar em larga escala… será que o faríamos mesmo que forçados a tal? Não surgiriam imediatamente lobbies a dizer que as previsões todas eram uma falsidade, uma invenção dos intelectuais de esquerda, etc. e enquanto se discutiriam na televisão as questões políticas dos prós e contras de «acreditar» no Fim do Mundo cientificamente validado, este irremediavelmente chegaria, altura em que dizer «Ups!» já não valeria a pena… Mas Stephenson é optimista, e o livro mostra como poderemos, de facto, sobreviver mesmo ao Fim do Mundo, embora, verdade seja dita, é justamente por causa de questões políticas que praticamente a espécie humana se extingue depois de se ter salvo do Apocalipse Final… mas isso é para quem queira ler o livro, não vou entrar em detalhes 🙂

A quantidade avassaladora de pormenores técnicos, científicos e tecnológicos tinha um propósito: Neal Stephenson não sabia, na realidade, muito bem o que fazer com todo o material. A sua tentação inicial era desenvolver um complexo jogo de computador (área onde Stephenson trabalha profissionalmente quando não está a escrever romances de FC). A alternativa seria fazer um filme, ou uma série de televisão. E, na verdade, Stephenson indagou imensas empresas diferentes nestas áreas do entretenimento, procurando um «patrocinador» para o seu projecto. A dada altura, no entanto, chegou à conclusão de que as negociações e conversas com tanta gente estavam a levar muito tempo, e como já tinha grande parte do material escrito, resolveu publicá-lo sob forma de um romance, pois isso só dependia dele e de mais ninguém. Alegadamente estará em produção um filme sobre o romance, mas o certo é que Stephenson já tinha lançado o livro.

A prosa de Stephenson não é sempre fácil de ler. Livros como Snow Crash seguiam um estilo muito mais livre e flexível, com muita acção cinematográfica e diálogos com muita ironia; desde The Baroque Cycle que Stephenson tem estado a usar um estilo muito mais opaco, muito mais seco, em que o narrador se distancia tanto da acção como das personagens, e não participa no enredo de forma objectiva. O leitor forma as suas próprias ligações empáticas com as personagens pelas suas acções e diálogo; o narrador não interfere nesse processo. Isto torna (deliberadamente!) as personagens mais ambíguas, mais difíceis de compreender quanto às suas motivações; e não é muito óbvio como estas se relacionam entre si. Este último pormenor é importante, pois são as relações entre as personagens principais que sobreviveram na segunda parte que catapultam o leitor depois para um tempo em que as características dessas personagens e as formas como se relacionavam entre si passaram a ditar a forma como a espécie humana se divide, já não em nações, mas sim de acordo com a sua linhagem genética. A meu ver, pois, esta passagem de acção individual para acção de massas de indivíduos — que não é nada óbvia; aliás, não se percebe o título do livro até mesmo ao final da segunda parte; ainda por cima, Stephenson deixa-nos algumas pistas falsas logo ao início (não sei se deliberadamente ou não), aumentando a confusão. Só ao fim de umas boas 500 páginas é que percebemos, no fundo, qual o objectivo do livro, e qual a sua temática — que passa por muito mais do que o dia-a-dia do que resta da espécie humana a tentar sobreviver em órbita.

Stephenson admite que a terceira parte está escrita de forma a que exista um final climáxico que segue a lógica de todo o enredo, mas deixando claramente tudo em aberto. Não haverá um Seveneves: The Sequel porque não é necessário de todo: o livro o que faz é criar o background necessário como introdução ao universo da terceira parte do livro. No fundo, podemos pensar nas duas primeiras partes como uma prequela a este universo de Stephenson, que depois poderá ser explorado, nas suas milhentas vertentes, em jogos de computador, em séries de televisão, ou quiçá mesmo em mais romances. Não precisarão de ter nada a ver com o conjunto de personagens introduzidas na terceira parte; na verdade, as personagens das duas primeiras partes é que são essenciais para a compreensão de todo o universo que se desenvolverá a seguir. Por outras palavras: Seveneves, o romance, é na realidade dois livros completamente distintos. As primeiras duas partes compreendem aquilo que depois na terceira parte é conhecido como o Épico — a história, passada nos nossos dias, tal como é compreendida no ano 7000 da era cristã. O Épico é, assim por dizer, uma espécie de «livro sagrado» — com a diferença que as personagens são humanas e não divinas, e que todos os «podres» foram registados em conjunto com as acções heróicas e as decisões fulcrais tomadas ao longo dos primeiros anos em órbita. E, claro, tudo registado em câmaras digitais em HD, de maneira que, cinco mil anos mais tarde, as imagens do Épico são reais, históricas, palpáveis… e não apenas fragmentos de um passado longínquo do qual só restam mitos e lendas. Aliás, talvez seja interessante também esta abordagem de Stephenson ao «mito» do século 70 — porque todos os nossos registos digitais não perecem e mantém-se ao longo das décadas (como Donald Trump tem estado a notar!), não há necessidade de «história» no sentido convencional da palavra, porque podemos ver exactamente o que se passou, com imagens de qualidade perfeita e som estereofónico. O passado, pois, é vivo — uma imagem digital com um ano ou 5000 anos tem a mesma qualidade, a mesma presença, e, no fundo, a mesma importância. Isto, evidentemente, tem um impacto sobre a forma como a sociedade humana se irá desenvolver, num futuro tecnológico em que não há necessidade de preocupação em perder registos históricos do passado…

Logo, a terceira parte do livro já não é… o livro. Seveneves é, na realidade, o Épico. A última parte apenas ilustra como a sociedade do século 70 ou 71 olha para o Épico. Mas a terceira parte podia ser «qualquer coisa». Existe um enredo, sim, mas é apenas um de milhentos possíveis — Stephenson recheou o seu universo com imensas tensões, com muitas facções, muitas possibilidades, pois isso permite-lhe explorar uma série de actividades diferentes nesse universo. Há batalhas em órbita, e há batalhas pela conquista da Terra; há espionagem, há política; há uma sociedade secreta cujo obscuro propósito (chamado, justamente, de o Propósito) desconhecemos (e as personagens da terceira parte também). Há alienígenas que falam mal inglês… mas não vou dizer o que são ou quem são, pois isso seria estragar toda a piada do livro. Há missões que são referidas no Épico mas que não sabemos o que lhes aconteceu, 5000 anos mais tarde. Em resumo: há aqui um universo inteiro a explorar, com a complexidade do mundo d’A Guerra dos Tronos ou da Terra Média de Tolkien. Stephenson dá-nos apenas um cheirinho para nos abrir o apetite de ler/jogar/ver mais sobre este fascinante mundo tecnologicamente complexo (mas não muito mais avançado que o nosso, por razões que Stephenson explica no livro!). E sabe-nos a pouco — para além de, no fundo, haver uma quebra da narrativa, e uma nova narrativa que nada tem a ver com a anterior.

A inclusão de «narrativas separadas da narrativa principal» não é estilisticamente uma novidade, claro está. Tolkien (já que o mencionei…) faz isso muito bem em O Senhor dos Anéis, pois este inclui, nos anexos, imensas histórias (e fragmentos) que pertencem a «outros livros». Mesmo a batalha pelo Shire, no final da narrativa principal, não é estritamente «necessária» à narrativa: é uma história após a história (que faz com que Tolkien comece e termine a narrativa no Shire com os Hobbits), que, no entanto, tem existência separada desta. A diferença é que existe uma proximidade temporal, que faz com que a sequência seja coerente. Em Seveneves, pelo contrário, embora espacialmente se mantenha o mesmo lugar (a Terra e a sua órbita mais próxima), temporalmente a descontinuidade é demasiado grande. Podemos alegar que a continuação da espécie humana é suficiente «continuidade», assim como o facto da espécie humana manter o seu legado histórico bem presente (não há sítio que não esteja a passar na televisão um episódio ou outro do Épico, com o qual os humanos do futuro parecem aparentemente estar completamente obcecados). Mas do ponto de vista da narrativa no livro como um todo… não funciona.

Claro está que, ao final das duas primeiras partes, o leitor fica mortinho de vontade em saber o que se passa a seguir! O livro podia terminar aí, e seria um todo completo: a narrativa do Épico. Mas não nos apercebemos da importância do Épico para a humanidade futura se Stephenson não nos mostrasse essa mesma humanidade. Ademais, o grosso do trabalho de recolha de informação sobre soluções tecnológicas complexas para a vida em órbita está na terceira parte, e não nas duas primeiras, onde as «inovações» são na realidade poucas (ou nenhumas, de um certo ponto de vista) relativamente à tecnologia que dominamos hoje. A recolha do material que levou a Stephenson sete anos a completar está, pois, essencialmente nas descrições da terceira parte; é perfeitamente natural que o autor insista em mostrar no que andou a pensar neste tempo todo que levou a escrever o livro.

Aguardo o filme com um certo interesse, pois estou curioso para ver se o realizador Ron Howard se vai focar nas duas primeiras partes (fazendo eventualmente um film noir de ficção científica, um misto de 2001 e de Gravity) e fica por aí; se apenas se foca na terceira parte, que tem a possibilidade de uma audiência mais vasta já que a história é mais fluida e menos «técnica» (não parece ser tão hard core como isso, até porque, no cinema, muita da tecnologia usada não será explicada, mas sim visualizada, e vai apenas parecer «fixe!» no grande écran), com imagens seleccionadas das duas primeiras partes a correr nas várias televisões — o Épico — mas sem explicar toda a narrativa anterior; ou se arrisca e narra as três partes em conjunto num único filme. Esta última solução seria mais fiel ao livro (e há muitas, mas mesmo muitas cenas que podem ser cortadas à vontade, pois não têm qualquer relevância para a terceira parte — embora possam ter para futuras histórias, claro está) mas talvez confunda o espectador. No entanto, Stanley Kubrick em 2001 também teve de lidar com o mesmo problema (várias partes que nada têm a ver com a história principal, mas servem-lhe apenas de introdução) e o filme foi um sucesso (mas talvez o público de 1968 fosse mais tolerante, mais apto a aceitar um estilo de narrativa pós-moderna…). Ron Howard não é Kubrick (ninguém é) mas pode ser que nos surpreenda na sua adaptação de Seveneves

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