Morreu A. C. Clarke, o meu autor favorito.

O primeiro livro de Ficção-Científica que eu li foi “Náufragos na Lua” que, nessa ocasião tinha acabado de ser publicado em português na colecção “Argonauta”. Na altura nem me apercebi que tinha começado a história a meio (só li a primeira parte – “SOS Lua” – alguns anos depois) , nem tomei atenção ao nome do autor.

Isso não me impediu, alguns anos depois e já com centenas de livros de FC lidos, de recomendar esse meu primeiro livro aos meus colegas estudantes, como “porta de entrada” para o Universo da FC, no meu esforço de proselitismo.

De facto estudando numa Faculdade de Ciências o livro de A. C. Clarke fornecia uma ponte excelente entre a melhor ficção-científica e os dados científicos tal como eram conhecidos na altura em que o livro foi escrito. De catálogo é a excelente discussão da diferença entre massa e peso.

Discutir os seus livros é uma tarefa demasiado complexa para ser feita na sombra do acontecimento. Talvez a sua obra mais conhecida seja o argumento do filme “2001 Odisseia no Espaço”, que começou num conto muito mais simples chamado “A Sentinela”, mas temos de falar obrigatoriamente na série sobre “Rama” e nos contos  “A Estrela” e “Expedição à Terra”. E os seus livros de divulgação científica foram uma contribuição importante.

A estreita ligação à ciência não é de espantar devido à forte formação universitária em Física e Matemática. Em 1945 publicou um artigo discutindo a importância dos satélites geoestacionários (i.e. imóveis em relação à Terra) nas telecomunicações. Em reconhecimento deste trabalho essa órbita é chamada “Órbita de Clarke”. Aliás Clarke voltou ao assunto da órbita de Clarke como defensor a ideia do “elevador orbital”, assunto do seu livro de ficção “As Fontes do Paraíso” que se enquadra de modo não muito rígido no universo do “2001”. Também se manteve activo na caça aos impostores do sobrenatural, sem deixar de manter uma atitude aberta em relação a esses assuntos, afinal, como dizia, qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da feitiçaria.

Morreu no Sri Lanka a 19 de Março de 2008, com 90 anos, mas ficaram muitos livros para ler.

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