Em 2017 assinalam-se os centenários de (entre outros) dois escritores estrangeiros… que deixaram a sua marca na ficção científica. Além do ano de nascimento partilham também outros, importantes, interessantes, características: ambos eram ingleses, passaram partes significativas das suas vidas na Ásia, e tiveram obras suas adaptadas ao cinema por Stanley Kubrick.

Um é Anthony Burgess, que nasceu a 25 de Fevereiro – se ainda vivesse (faleceu em 1993) completaria hoje um século de idade. O seu trabalho mais famoso é, sem dúvida, «Laranja Mecânica», base para o filme com o mesmo nome realizado por Stanley Kubrick em 1971, mas que constituiu, porém, a sua única (grande) contribuição para o género – suficiente, no entanto, para constituir um brilhante destaque numa carreira literária marcada pela versatilidade. De referir que chegou a planear com SK um filme sobre Napoleão, para o qual começou a escrever um romance do qual se extrairia o respectivo argumento; todavia, este projecto cinematográfico nunca se concretizou – o cineasta acabaria por fazer, em substituição, «Barry Lyndon» – mas Burgess acabaria por finalizar a sua narrativa, publicada em 1974 com o título «Napoleon Symphony»… e dedicada a Kubrick.

O outro é Arthur C. Clarke, cujo centenário só se celebrará no final do ano – nasceu a 16 de Dezembro (faleceu em 2008). O seu trabalho mais famoso é, sem dúvida, «2001 – Uma Odisseia no Espaço», romance que foi escrito ao mesmo tempo que Stanley Kubrick realizava o filme com o mesmo nome, estreado em 1968, e que constituiu como que um desenvolvimento, um prolongamento, do conto «A Sentinela» – e o início de uma série (entre outras que ele criou) que viria a incluir quatro livros no total, incluindo «2010», «2061» e «3001». Ao contrário de Burgess, Clarke dedicou toda a sua carreira literária à ficção científica e à divulgação da ciência, tendo nesta capacidade alcançado (ainda maior) fama mundial através do programa televisivo documental «O Mundo Misterioso de…», que apresentou. Com Robert Heinlein e Isaac Asimov foi considerado um dos três grandes da FC.

Apesar do que partilhavam, na nacionalidade, na idade, na actividade, não temos registos de que Anthony Burgess e Arthur C. Clarke alguma vez se tenham cruzado, encontrado, falado… conhecido. Pelo menos enquanto foram vivos. 😉

 

(Imagem daqui.)

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