ARepúblicaNuncaExistiu!

(DUAS adendas no final deste texto.)

Mais de seis anos depois de ter sido publicado (foi em Fevereiro de 2008, aquando do centenário do Regicídio), «A República Nunca Existiu!», antologia colectiva de contos no sub-género FC & F de «história alternativa» que tem como premissa que a Monarquia nunca foi derrubada em Portugal, começou finalmente a ser lida e «criticada» por Jorge Candeias no seu blog A Lâmpada Mágica. E pela ordem dos contos: iniciou com o de João Aguiar e continuou com os de Luísa Marques da Silva, Bruno Martins Soares, Luís Bettencourt Moniz…

… E ontem chegou a vez do meu, «A marcha sobre Lisboa», sobre o qual JC escreveu (com «erros ortográficos», aqui devidamente corrigidos): «(…) O conto (…) poderia ser interessante se não fossem duas coisas, que se interligam uma à outra: o tom de propaganda e o estilo. Aquele vê-se em duas ou três dissertações sobre a situação política e económica (isto e aquilo), infodumps que poderiam ser bem mais curtos se não servissem principalmente para exaltar as qualidades do regime monárquico, e sobretudo no tom exclamativo, exaltado e exaltante com que tudo o que rodeia el-rei é tratado, chegando ao ponto de bastar um olhar a D. Luís para silenciar um dos acompanhantes de Salazar. Já este é bastante fraquinho, hiperadje(c)tivado, em especial no início (o rei é “sábio e ponderado”, Duarte Pacheco, logo a seguir, é “inventivo e incansável” e por aí fora, isto e aquilo, isto e aquilo, isto e aquilo), e mostrando do princípio ao fim uma preocupação dir-se-ia patológica por deixar cair nomes. São nomes em catadupa e apenas nomes de gente conhecida, como se outro regime político não tivesse o mais pequeno impacto na composição das elites (…), como se alterações da história global das nações não tivessem qualquer influência nas histórias individuais das pessoas que as compõem, quando a verdade é que basta mudar a hora do a(c)to de conce(p)ção para já ser outro o espermatozóide a fecundar o óvulo e portanto já ser outro o indivíduo que dele resulta. Em suma: muito fraquinho.»

Que algaraviada pedante… Não é de rir às gargalhadas?

A manter-se o «método», seguir-se-ão os contos de Gerson Lodi-Ribeiro, Miguel Real, Maria de Menezes, Luís Miguel Sequeira, Alexandre Vieira, João Seixas, José Manuel Lopes, Sérgio Sousa-Rodrigues (Sérgio Franclim) e Cristina Flora. Só depois de todos terem sido abordados em particular, e de a obra ter sido avaliada em geral, é que eu darei a minha «resposta global», é que eu farei o meu «comentário aos comentários», e tal ocorrerá no sítio da Simetria.

Porém, a propósito desta «avaliação» feita ao meu conto, não pude deixar de colocar lá um comentário – mais concretamente, a correcção de erros de âmbito histórico – e não posso deixar de fazer aqui a seguinte observação: alguma esperança que ainda houvesse de que esta patética criatura tivesse um «lampejo» (afinal, trata-se de uma «lâmpada», mas dela não sai qualquer «génio») de honestidade intelectual, e de que ao menos por uma vez não se deixasse «encadear» pelo facciosismo e pelo preconceito político-ideológico, «apagou-se» definitivamente. No entanto, é verdade que não se perdeu grande coisa… «Muito fraquinho» (onde será que eu já li isto?) só mesmo o cérebro de determinadas pessoas… Uma das quais, provavelmente, ainda não «recuperou» dos efeitos «adversos» (para ele) de uma discussão sobre ortografia e da demonstração de que um autor estrangeiro que ele traduz (e idolatra) é um idiota.

(Adenda – Jorge Candeias apagou o meu primeiro comentário no seu blog cerca de duas horas e meia depois de eu o ter inserido. Um comportamento que não é, de todo, surpreendente, e que é «justificado» por, alegadamente, eu ter sido, ser, «insultuoso» e «despeitado», e ainda por ser necessário manter a «higiene» (!!!) daquele espaço. A seguir transcrevo integralmente o que lá escrevi, e os leitores que tirem as suas conclusões:

«Darei – em outro local e em outro momento – uma resposta abrangente a todas as «apreciações críticas» feitas aqui aos contos incluídos em «” República Nunca Existiu!”, mais concretamente nos seus aspectos literários e políticos – e as desfavoráveis (como esta, relativa ao meu conto) serão, obviamente, devida e facilmente refutadas.

Porém, impõe-se que se façam imediatamente correcções ao nível histórico, para que os que aqui vêm não sejam induzidos em erro.

Nem a Áustria nem a Hungria eram efectivamente monarquias aquando do início da Segunda Guerra Mundial. A primeira não o era nem formal nem factualmente desde o final da Primeira Guerra Mundial, e a segunda, apesar de ter sido designada formalmente – e simbolicamente – “Reino da Hungria” entre 1920 e 1946, nunca teve qualquer Rei a dirigi-la nesse período: o pretendente, Carlos IV (I da Áustria), da Casa de Habsburgo, nunca chegou a ascender ao trono, e morreu em 1922 na Madeira (seria beatificado pelo Papa João Paulo II em 2004); nesses anos, a nação magiar foi governada pelo almirante Miklós Horthy, que pertencera às forças armadas do império austro-húngaro e que ostentava o título de “regente”.

Se é correcto referir as (verdadeiras) monarquias que combateram do lado das forças do Eixo, também é correcto referir as que combateram do lado dos Aliados. A começar, claro, pelo Reino Unido, e depois pela Austrália, Canadá e Nova Zelândia. Estas são as que nunca foram ocupadas nem por alemães nem por japoneses, apesar das baixas humanas e dos danos materiais que sofreram. No entanto, deve-se referir igualmente as monarquias correspondentes a países que foram invadidos, ocupados, pelos nazis e fascistas, e que, melhor ou pior, combateram, resistiram às forças totalitárias: Bélgica, Dinamarca, Holanda, Luxemburgo, Noruega. E até se poderia referir ainda a Suécia, que, apesar de neutral, provavelmente favoreceu mais os Aliados do que o Eixo.

Analisar os trabalhos dos outros, opinar sobre eles, exige, além de conhecimento (cultura geral), também honestidade intelectual e rigor. Uns têm estes atributos, outros não.»

Imagine-se o que poderia (não) acontecer se eu fosse tão «sensível», tão «susceptível» – isto é, tão medroso – quanto… determinado indivíduo. Por exemplo, não teriam ficado registados para a posteridade «diálogos» como o que se estabeleceu aqui.)

(Segunda adenda – Inseri um segundo comentário e, obviamente, também foi apagado. Porém, desta vez captei antes uma imagem daquele. E o texto era o seguinte:

«Com que então correcções de erros são “comentários insultuosos”? Insulto maior é revelar o final de uma história escrita por outra pessoa, o que é uma falta de educação, de boas maneiras, absolutamente inadmissível… Mas vindo de quem vem, de um autêntico e permanente despeitado, esse comportamento nem surpreende…

Quanto à “higiene”, isso não tem de constituir um problema. Como eu não tenho esses “pruridos” com a “limpeza”, nem costumo censurar os outros, proponho que a “conversa” continue no meu blog… a não ser que alguém não “compareça” por falta de argumentos… e de coragem.»

Entretanto, o dito cujo «twittou» isto. Será dirigido a mim? Se sim, é caso para dizer que, na verdade, alguém se viu ao espelho…)

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