10981365_10152745995438215_5802032395896720622_o

… Para delas se fazer filmes. A apresentação no Festival Internacional de Cinema do Porto em 2013 da antologia colectiva de contos de ficção científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas» possibilitou-me também o estabelecimento de um contacto privilegiado com Beatriz Pacheco Pereira, que, com o seu marido Mário Dorminsky, fundou e dirige há 35 anos aquele festival. Sempre pensando em formas de promover a FC & F de língua portuguesa, que, aliás, e como demonstrei, constitui o género dominante na história da literatura nacional, submeti no ano passado à co-organizadora do FantasPorto, em representação da Associação Simetria, uma sugestão: a de, junto dos cineastas, já em actividade ou ainda em formação, que integram a sua lista de contactos e que costumam frequentar o Rivoli todos os anos na mesma ocasião, divulgar obras, narrativas, histórias, de autores lusófonos na área da fantasia, como possiveis bases, adaptando-as, para argumentos de eventuais filmes (de curta e de longa metragens) e de séries televisivas.

Beatriz Pacheco Pereira aceitou, e, assim, foi criada a iniciativa «Bolsa de Guiões», que terá a sua primeira realização na edição de 2015 do Fantasporto, que decorre entre 24 de Fevereiro e 8 de Março. A fase inicial do projecto consistiu em localizar, seleccionar e compilar textos que se adequassem aos objectivos daquele. Pelo que, com o apoio de Luís Filipe Silva, Luís Miguel Sequeira e Nuno Fonseca, elaborei e enviei uma (primeira) lista de 20 trabalhos, obedecendo aos seguintes três critérios: (mínimo de) qualidade; adaptabilidade (isto é, não exigência, se possível, de orçamentos elevados e/ou de efeitos especiais complexos); acessibilidade (isto é, preferência por aqueles que estão  disponíveis electrónica e integralmente).

Eis os trabalhos que integram essa lista, e os respectivos autores: «O beijo», Alexandra Rolo; «A ponte dos dois corações», Ana Cristina Luz; «O nome do rei», Bruno Martins Soares (nas páginas 53 a 64); «As duas caras de António», Carlos Eduardo Silva (nas páginas 97 a 108); «Chasing memories», Cristina Flora; «No muro», David Soares; «O Mandarim», Eça de Queiroz; «Primos de Além-Mar», Gerson Lodi-Ribeiro (tradução para Inglês, «Cousins from Overseas»); «Seis momentos em tempo real», João Aguiar (nas páginas 17 a 34); «O teste», João Barreiros; «Steaks barbares», João Seixas; «Leituras», João Ventura; «Missão 121908», Luísa Marques da Silva (nas páginas 35 a 52); «Dormindo com o inimigo», Luís Filipe Silva; «Lisboa no Ano 2000», Melo de Matos; «Caminhos de ferro», Octávio dos Santos; «A passagem», Paulo Pinto Carvalho; «Venha a mim o nosso reino», Ricardo Correia (nas páginas 41 a 52); «O primogénito», Rogério Ribeiro (nas páginas 13 a 26); «O paciente», Telmo Marçal. Já Beatriz Pacheco Pereira acrescentou textos dela própria e ainda de José Viale Moutinho, Pedro Garcia Rosado e Rui Madureira. Posteriormente, elaborei e enviei, também para ser divulgada junto dos cineastas, uma segunda lista, não exaustiva, de livros de ficção científica e fantástico de autores lusófonos actualmente à venda em Portugal ainda sem adaptação audiovisual.

Aquele que deverá ser o evento principal da primeira edição da «Bolsa de Guiões» no âmbito do FantasPorto está marcado para o próximo dia 4 de Março, entre as 15 e as 18 horas, no Teatro Rivoli: um encontro, e debate, entre os cineastas e os escritores. Destes (e excluindo, evidentemente, os que já faleceram) ainda não se sabe, neste momento, quantos e quais poderão estar presentes, e impõe-se igualmente esclarecer que nenhuma utilização dos seus trabalhos está garantida apenas pela realização daquela sessão em particular e deste projecto em geral. De qualquer forma, do que não há dúvidas é de que a literatura lusófona de FC & F começa este ano a ser sistematicamente promovida e valorizada entre os profissionais do sector audiovisual.

Artigos relacionados:

  • Não há artigos relacionados