9789724141442

João Aguiar, jornalista e escritor que morreu no passado dia 3 de Junho, tornou-se justamente conhecido e respeitado, principalmente, pelos seus romances históricos. Começando, claro, com a «A Voz dos Deuses», e continuando com, entre outros, «A Hora de Sertório», «Uma Deusa na Bruma», «O Trono do Altíssimo» e «Inês de Portugal», obras em que o passado provável do nosso país é evocado com o possível rigor dos factos, mas sempre envolto numa aura de lenda e de maravilhoso.
Sobre o presente também João Aguiar se debruçou, asssinando registos que oscilam entre o desiludido e o irónico, como «O Canto dos Fantasmas», «Navegador Solitário», «A Encomendação das Almas» e «O Priorado do Cifrão», além da sua «trilogia de Macau», constituída por «Os Comedores de Pérolas», «O Dragão de Fumo» e «A Catedral Verde» – ou tetralogia, se incluirmos «O Tigre Sentado». Porém, também nesta fase temporal o mágico e o misterioso nunca estão ausentes.
Existem ainda, obviamente, os trabalhos em que a cronologia é indefinida ou… alternativa. No primeiro caso está «O Homem sem Nome», apresentado como «uma história fantástica, quase uma história de fadas», ou «uma mensagem sobre a vida e sobre os homens», ou ainda como uma «alegoria». No segundo caso está o seu conto «Seis momentos em tempo real», incluído na antologia «A República Nunca Existiu!», em que imagina como Portugal poderia ter sido se o nosso país tivesse continuado a ser… um reino.
Não restam, pois, dúvidas de que, mais do que um autor fantástico, João Aguiar foi também um autor do Fantástico… e da Ficção Científica. Na verdade, também «viajou» até ao futuro, através concretamente de dois livros.
O primeiro é «O Jardim das Delícias», cuja sinopse é a seguinte: «Num dado momento histórico, situado para lá dos meados do século XXI, um jornalista farta-se do mundo em que vive. Esse mundo é a grande Federação Europeia, descendente directa da União Europeia. Uma Federação massificada, estupidificada, dominada pelos Estados mais poderosos, os quais, por sua vez, obedecem cegamente a grandes grupos económicos, que apenas se ocupam dos seus interesses. Ao criticar violentamente esse mundo, o jornalista apercebe-se de que a liberdade de informação já não é o que era, e de que há mais descontentes do que ele julgava. Apercebe-se, também, de que, entre esses descontentes, cresceram e ganharam força certas ideologias que, no passado, mergulharam a Europa no caos. Aproxima-se o momento de um grande confronto — e ele encontra- se no meio do campo de batalha, incapaz de aderir a qualquer dos dois exércitos…»
O segundo é «Diálogo das Compensadas», cuja sinopse é a seguinte: «Num ponto qualquer do futuro distante, certo autor decide-se a narrar um caso de proveito e exemplo ocorrido nos recuados princípios do século XXI. Como base de trabalho, ele possui fragmentos de um livro publicado nessa mesma época – escrito, portanto, em Português decadente, talvez já contaminado pelo novo idioma que viria a substituí-lo, o Yeah-Yeah-Man. Negando-se a recuar perante a dificuldade, o nosso autor aproveita as partes mais legíveis do texto original e completa-as na boa e clara linguagem do “Português Ressuscitado”. Assim surge o “Diálogo das Compensadas”, cujas principais figuras são um jovem da geração reality-show e uma abadessa não isenta de mistérios e segredos.»
Não só estes mas todos os outros livros de João Aguiar merecem ser (re)descobertos.

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