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Dois dos filmes norte-americanos mais em destaque em 2015 foram de ficção científica: «O Marciano» (em Portugal intitulado «Perdido em Marte», mais um exemplo de uma estúpida tradução «tuga» que desvirtua completamente o sentido do nome de uma obra), de Ridley Scott, e «Guerra das Estrelas – A Força Desperta», de J. J. Abrams; o protagonizado por Matt Damon já está disponível para venda em disco(s) em Portugal desde o passado mês de Fevereiro, enquanto o por Harrison Ford só estará a partir do próximo mês de Abril; ambos foram grandes sucessos comerciais em todo o Mundo, mas mais o segundo, que superou inclusivamente «Avatar» e se tornou o filme com mais receitas de sempre (não ajustadas para a inflação); ambos receberam várias nomeações para os Óscares – sete para o primeiro, cinco para o segundo – mas não conquistaram qualquer estatueta dourada; porém, outro filme de FC & F de 2015, «Mad Max – Estrada da Fúria», foi o grande triunfador da noite, tendo ganho seis…

… E ambos «beneficiaram», aquando dos seus lançamentos, de notícias de carácter científico com grande impacto que, por coincidência ou não, se relaciona(va)m com os seus respectivos temas e/ou, no caso de «Guerra das Estrelas», com elementos fundamentais do «imaginário» estabelecido em filmes anteriores da série. A 28 de Setembro último, a menos de uma semana da estreia de «O Marciano» (foi a 2 de Outubro nos EUA), a NASA anunciou que haviam sido descobertos indícios que comprovavam a existência, num passado mais ou menos remoto, de água no «planeta vermelho». Houve quem insinuasse – ou «acusasse» mesmo – a agência espacial norte-americana de colaboração – ou de conluio – com a 20th Century Fox para a promoção do filme de Ridley Scott, quanto mais não fosse porque assessorou a produção daquele para assegurar o maior rigor possível em termos técnicos; no entanto, a NASA negou que houvesse qualquer intencionalidade nesse sentido, e deu como justificação para a «simultaneidade», o artigo «Spectral evidence for hydrated salts in recurring slope lineae on Mars», relato «oficial» da descoberta, e cuja publicação, naquele dia do nono mês, na revista Nature, obedece(u) a critérios próprios e que, supostamente, são independentes de quaisquer «tie-in» comerciais. Todavia, o certo é que a confluência de factores não prejudicou «O Marciano», muito pelo contrário…

… Tal como não prejudicou «Guerra das Estrelas – A Força Desperta» a revelação, a (partir de) 21 de Outubro último, igualmente generalizada na comunicação social mundial, da existência, na constelação de Virgem, de um objecto consensualmente identificado como uma (estrela) «anã branca», que terá destruído um planeta «apanhado» na sua força gravitacional e que logo foi «baptizada» de (e, sim, foi esta a expressão utilizada) «Death Star», «estrela da morte», a gigantesca máquina/nave de destruição utilizada pelo «Império» em mais do que um dos capítulos da saga criada por George Lucas. Não que existissem propriamente suspeitas de que o corpo celeste detectado fosse não natural, artificial, mas mentes mais imaginativas não terão certamente desprezado essa (remota) possibilidade. Isto aconteceu quando faltavam ainda quase dois meses para a estreia do filme de J. J. Abrams, mas, dada a antecipação e a excitação que rodeavam aquele, terá parecido menos tempo.

Esta não foi, contudo, a primeira vez em que a mais mortífera máquina da FC pareceu «materializar-se» – ou quase – na nossa realidade. Em Janeiro de 2013 a Casa Branca respondeu oficialmente a uma petição «em linha» – porque obteve o número mínimo de assinaturas requeridas para tal – exigindo ao governo dos EUA a construção de uma «Death Star». Tal foi recusado, e principalmente porque: o custo estimado de 850 quadriliões de dólares era incompatível com o objectivo de fazer poupanças e de diminuir a dívida; a administração de Barack Obama não apoia(va) a explosão de planetas; e – talvez o «argumento» mais decisivo – a estrutura, tecnicamente muito complexa e financeiramente muito dispendiosa, poderia ser destruída por uma só nave de um tripulante, não justificando, pois, o investimento. Quer isto, porém, dizer, que estariam dispostos a considerar seriamente a hipótese de a construir se aquela «falha» fosse colmatada? Sim, por vezes a realidade é, mesmo, mais estranha do que a ficção.

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