O meu livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal» foi publicado no passado mês de Maio deste ano de 2017. Não por acaso: foi quando se celebrou o 20º aniversário da edição do «Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal», trabalho liderado por José Mariano Gago enquanto ministro da Ciência e Tecnologia, que constituiu o programa para a «revolução digital do nosso país»… e, a um nível mais pessoal, representou o impulso decisivo para eu me tornar um jornalista especializado em novas tecnologias da informação e da comunicação – e, nessa qualidade, ter ganho quatro prémios de jornalismo.

Como afirmo na introdução, «Nautas»,  livro que reúne «os melhores e/ou os mais importantes textos sobre este assunto que escrevi durante quase dez anos», é «uma obra que procura identificar as principais questões, dúvidas, soluções e polémicas que a modernização tecnológica do país levantava nesse período fulcral, de transição de século e de milénio. Porém, mais do que as características e as capacidades das máquinas (seja hardware ou software), o que sempre me interessou mais são as ideias e as iniciativas das pessoas. (…) Quer (…) assumir-se como uma referência relevante, como um contributo, necessariamente modesto, para o registo, análise e compreensão de um processo indispensável e indissociavelmente ligado ao desenvolvimento – técnico, económico, social, cultural» de Portugal.

A publicação é do Movimento Internacional Lusófono com a DG Edições (de Daniel Gouveia) – uma parceria também responsável pelos meus dois anteriores livros publicados, «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo» (este um trabalho colectivo sobre o grande pensador português e o século XVIII em que viveu, que eu concebi, co-organizei e em que participei) em 2016 e «Q – Poemas de uma Quimera» em 2015. A ilustração da capa, intitulada «Fernando Pessoa actualiza-se», foi feita pela minha filha Cláudia dos Santos, e baseia-se, obviamente, no «Retrato de Fernando Pessoa», de José Almada Negreiros. Agradeço mais uma vez a Catarina e a Rita Almada Negreiros, netas do genial artista, a aprovação da utilização, por nós, daquela obra.

Três apresentações deste livro foram feitas até agora. A primeira decorreu a 2 de Junho n(a sala C1.04 do Edifício II d)o ISCTE-IUL, em Lisboa, estabelecimento de ensino universitário onde, além de pela licenciatura em Sociologia, também passei pelo conselho directivo e pela associação de estudantes; neste regresso à minha alma mater fui acompanhado, na mesa, por Renato Epifânio e Vasco Matos Trigo; a este, actualmente Coordenador do Gabinete de Comunicação e Multimédia do ISCTE-IUL, e que, enquanto jornalista da RTP, esteve, tal como eu, entre os que mais cedo e mais de perto acompanharam as grandes mudanças que então – na transição de década, século e milénio – se verificaram em Portugal a partir do sector das comunicações, muito agradeço não só o inexcedível apoio que deu à promoção e à apresentação do meu livro mas também a análise muito elogiosa que fez daquele – o que, vindo de um colega de profissão, é motivo de acrescido orgulho; agradeço ainda as presenças – e as intervenções – de José Dias Coelho e de Manuel Lopes Rocha, que, aliás, contribuíram para a redacção do «Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal». A segunda apresentação decorreu a 28 de Junho n(a sala Antão de Almada d)o Palácio da Independência, em Lisboa, onde o MIL tem a sua sede; eu e Renato Epifânio fomos acompanhados, na mesa, por Luís Vidigal, Presidente da Direcção da Associação Para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação, também ele um dos colaboradores na elaboração do «Livro Verde…». A terceira apresentação decorreu a 7 de Outubro no Núcleo de Alverca do Museu Municipal de Vila Franca de Xira, mas não se limitou a «Nautas», pois incluiu também «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo» (2016, obra colectiva que concebi, co-organizei e em que participei) e «Q – Poemas de uma Quimera» (2015), ambos editados igualmente pelo MIL; foi o primeiro lançamento de livros meus no concelho onde sempre residi, e muito satisfeito fiquei por (re)ver familiares, amigos e ex-colegas, alguns do Notícias de Alverca, onde, em 1985, me iniciei no jornalismo; eu e Renato Epifânio fomos acompanhados, na mesa, por Anabela Ferreira, Coordenadora do NAMMVFX.

Na comunicação social, três referências foram feitas até agora a «Nautas».

A primeira foi no jornal Público, a 17 de Agosto (em papel, na edição Nº 9982 e página 45, e electronicamente), em artigo de Nuno Pacheco intitulado «Por mares cada vez mais navegados». Um excerto: «Os textos coligidos nas suas páginas (três dos quais foram distinguidos no Prémio de Jornalismo Sociedade da Informação) fazem uma leitura atenta e crítica desses tempos, à medida dos seus próprios passos. E não se julgue que Portugal andou atrasado nestas matérias, como muita gente pensará. (…) Logo no primeiro texto do livro enumera-se o muito que estava em curso na ciência, na saúde, na educação, na cultura, na banca, nos transportes, no fisco (o modelo 2 do IRS já podia ser preenchido pela net desde 1996), na justiça (a Alta Autoridade Contra a Corrupção armazenara em discos ópticos, entregando-os na Torre do Tombo, todo o seu arquivo), nas comunicações, nas empresas. E ao longo dos restantes artigos e páginas seguimos o que se erguia ou até caía (exemplar é o caso do Terràvista) no irreversível caminho da navegação global, que tudo inevitavelmente atinge.»

A segunda referência foi no jornal Voz Ribatejana (apenas em papel, na edição Nº 173 e páginas 26 e 27), em entrevista que eu concedi (ao director daquele) Jorge Talixa, intitulada «Sociedade da informação motiva novo livro de Octávio dos Santos». Um excerto: «Actualmente tudo, ou quase, se pode ver, consultar, receber e pagar pela Internet, com um ecrã e um teclado. Contudo, não sei se em certos casos se terá passado do “oito” ao “oitenta”, ou mesmo do “zero” ao “cem”. Ainda existem significativas faixas da população, constituídas por pessoas idosas e com pouco ou nenhum contacto com as nova tecnologias, que como que são forçadas a cumprir as suas obrigações, fiscais e não, em modo electrónico. Acho que é um erro, e um erro perigoso, estar-se a tentar abolir, completamente ou quase, a utilização de papel. Tem de haver salvaguardas físicas, concretas, e a Rede, embora poderosa, pode ser ou tornar-se frágil, como o demonstram os constantes ataques e infiltrações por hackers que muitos sítios sofrem. Apesar disso, sou por princípio contra a imposição de “regras” ou “factores de controlo” que reduzam eventuais “abusos”, em especial no que se refere à liberdade de expressão. Oponho-me incondicionalmente à censura prévia, e se alguém se sentir prejudicado por algo que aconteceu, viu ou ouviu, que recorra aos tribunais. Prefiro a auto-regulação à regulação… quantas vezes com “tiques” totalitários.. vinda de cima. Os cidadãos devem estar sempre atentos, fazer bom uso das ferramentas que têm ao seu dispôr… e não acreditarem em tudo o que lêem. Mais uma vez digo, o cepticismo e a desconfiança, em doses adequadas, são atitudes saudáveis.»

A terceira referência foi no jornal O Mirante (em papel, na edição Nº 1320 e página 20, e electronicamente), em entrevista que eu concedi a Jessica Rocha, intitulada «O jornalismo de proximidade é imprescindível nos nossos tempos». Um excerto: «A multiplicidade de fontes e meios de informação é boa, mas por vezes leva a que o rigor seja menor. Já não se espera tanto. E as vozes mais experientes vão sendo afastadas, não porque não se adaptem às novas tecnologias mas porque é mais caro mantê-las. (…) O online tem imensas vantagens, um grande alcance e permite a actualização constante dos assuntos. Consumimos cada vez mais informação em formato digital mas, ao contrário do que se dizia, os livros continuam a ter mais saída em papel do que em ebook.» Já antes este jornal mencionara (apenas electronicamente, e brevemente) a apresentação dos meus três livros em Alverca – ocasião, aliás, em que a entrevista foi concedida.

Em última análise, «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal» pode também ser visto, lido, de certo modo, numa dada perspectiva, como um livro de ficção científica, porque nele se abordam e se descrevem sistemas, produtos e serviços que, uns, já existiam há 20 anos, e, outros, apenas se anteviam, imaginavam, existiam unicamente como ideias, projectos, que entretanto se concretizaram como previsto, ou até mais além do que isso: aquilo que eu tive o privilégio de observar e de relatar não ficou confinado a páginas de livros ou a ecrãs de cinema ou de televisão… aconteceu mesmo, foi real, material – por exemplo, quem adivinhou, há duas décadas, o que agora se pode fazer com um telefone portátil? E em Portugal esta é uma área de conhecimento e de actividade que ecoa evocativamente na nossa história, ligando passado, presente e futuro. Como eu afirmo no artigo «Nautas, sempre!», que encerra e que dá título ao livro, «os portugueses continuaram a ser “nautas”. Antes, foram “argonautas” quando, na época dos Descobrimentos, partiram de Portugal e navegaram pelo Atlântico, pelo Índico, pelo Pacífico… Agora, na época da Sociedade da Informação, são “cibernautas”. Em casa, na escola ou no trabalho buscam no seu computador, não o caminho marítimo, mas o caminho electrónico para a Índia… e para todos os outros países do Mundo.»

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