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No Fórum Fantástico 2013, que decorreu entre 15 e 17 de Novembro último na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa, um dos maiores destaques foi para a apresentação dos Prémios Adamastor do Fantástico. O que não foi uma novidade absoluta, porque a iniciativa já havia sido revelada em Abril, n(a última página d)o Nº 14 da revista Bang! Então foram indicadas as categorias do galardão: livro nacional (inclui banda desenhada): livro traduzido; ficção curta nacional; audiovisual nacional; livro eleito pelo público; livro eleito pela crítica; carreira. Os prémios, organizados pela equipa do projecto Trëma, serão atribuídos – inicialmente apenas sob a forma de diploma – anualmente por um júri cujos membros serão convidados pelos organizadores, estando também prevista, porém, a participação do público na votação.

Os Prémios Adamastor do Fantástico suscitam-me, desde já, dois comentários. O primeiro tem a ver com a própria designação: compreensível na perspectiva de uma tradição da FC & F portuguesa, que existe, como eu já demonstrei, tem no entanto o «problema» de ter sido previamente «tomado» por outra iniciativa nacional de âmbito literário – o Projecto Adamastor, que tem como objectivo principal «a criação de uma biblioteca digital de obras literárias em domínio público.» Na verdade, é insólito que este projecto não fosse do conhecimento de pessoas que dedicam grande e melhor parte do seu tempo à divulgação de literatura através de meios electrónicos e interactivos. Todavia, e a julgar pelas declarações de Rogério Ribeiro n(a abertura d)o FF13, terá sido mesmo isso que aconteceu. Mandaria a lógica, e o bom senso, que o galardão fosse por isso «rebaptizado», mas não parece que tal venha a acontecer. Uma designação alternativa seria, por exemplo, «Prémios Bartolomeu de Gusmão de FC & F em língua portuguesa»… que foi a que eu propus em texto que escrevi e enviei, a partir de Setembro de 2010, a cerca de 20 pessoas de entre as mais ilustres e interventivas do género em Portugal (sim, incluindo RR), várias das quais, aliás, me responderam dando as suas opiniões e contributos (sim, incluindo RR). Texto esse que passo a transcrever (não na íntegra), e que representa o meu segundo comentário sobre o assunto:

«Proponho a criação de um, ou dos, prémio(s) de língua portuguesa no âmbito da FC & F – abertos à participação não só de portugueses mas de todos os lusófonos. Porquê? Porque é uma forma de divulgar, de estimular e de recompensar o nosso trabalho nesta área, onde, salvo raríssimas excepções, obras e autores continuam a ser discriminados, silenciados na comunicação social e nos galardões literários mais mainstream. E porque, desde que deixou de ser atribuído o Prémio Caminho de Ficção Científica, não existe, nesta área, uma distinção de referência no espaço de língua portuguesa. Nestes últimos dez anos, a nossa “comunidade” cresceu, em autores e em obras, em capacidade crítica, em poder de comunicação – e não só graças ao desenvolvimento da tecnologia. Instituir e atribuir, anualmente, prémios aos criadores que trabalham na nossa área de eleição é um corolário lógico desse crescimento e desenvolvimento, é uma forma de reconhecer, honrar, o esforço feito. (…) Como designar o Prémio? Tendo em consideração que, na minha opinião, e como já expus acima, ele deve ser de âmbito alargado, para todos os falantes – ou escreventes – de português, ele deve ter como “patrono”, como “figura tutelar”, alguém que corporizou como que um “espírito transatlântico”, que foi um inventor, dado à inovação científica e técnica, que hoje aparece, até, envolto em alguma lenda e mistério, que já foi até personagem de romance. (…) A minha sugestão é… Prémio(s) Bartolomeu de Gusmão de FC & F. E, obviamente, esse(s) prémio(s) deve(m) traduzir-se, além de num valor monetário (é preciso encontrar patrocinadores…) e de num diploma alusivo, também na forma de uma placa, de um baixo-relevo representando… uma Passarola. (…) O Prémio Gusmão deverá ser atribuído a obras publicadas, não inéditas. Numa época em que qualquer pessoa pode criar um blog e nele colocar, se quiser, um romance, em que o “print on demand” é uma realidade, já não há muitas desculpas para não se conseguir divulgar e distribuir uma obra. O Prémio Gusmão deverá ter não uma mas várias categorias. Para começar: romance/novela – ficção em prosa de “longa duração”; antologia/colectânea de contos (de vários autores ou de um só autor); conto; tradução para português de autor não lusófono; grafismo (desenho de capas e paginação). Numa segunda fase, e se tal se justificar, prémios para filme, teatro, música, jornalismo… e um “especial”, de “carreira”, de “prestígio”. A escolha dos premiados deverá ser feita por júris, um por cada categoria. Poderá ser feita previamente uma lista de nomeados, meia dúzia, no máximo, de selecções em cada categoria, e submetidos a uma votação online do público – embora os resultados sejam apenas indicativos e sem consequência directa no resultado final. Quem deve organizar o Prémio Gusmão? Actualmente, faz sentido que tal se faça no âmbito do Fórum Fantástico – em cada edição atribuir-se-iam os galardões relativos ao ano anterior. (…)»

Neste domínio (como em outros) não tenho a pretensão de ter «inventado a pólvora». Sei que a criação, ou a recriação, de um prémio de FC & F em Portugal, depois do da Caminho, já era pensada e discutida, mesmo que informalmente, há bastante tempo. Mas, que eu saiba, nos últimos anos mais ninguém – e, se eu estiver enganado, farão o favor de me corrigir – havia estruturado, elaborado e enviado uma proposta nesse sentido, com princípio, meio e fim. De qualquer modo, mais importante do que a designação de um prémio, e de saber quem é que teve primeiro a ideia de um (novo) prémio, é mesmo haver um, e que seja dado a quem o merece. E, quem sabe? Talvez também eu decida concorrer! 😉

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