game mobile Lời nói đầu Game4M.Net - Game Mobile gửi đến các bạn lời cảm ơn trân trong nhất đến các bạn đã ghé thăm và ủng hộ chúng tôi ! Tại đây các bạn có thể tải tất cả các thể loại Game Mobile trên tất cả các dòng điện thoại ( Android - Java - IOS - Windows Phone ) Kho Game Mobile cực lớn tại Việt Nam Game4M.Net tai game Tai Game – Tải Game Hot nhất 2013 tại Game4m.Net . Kho Tai Game – Tải Game cho điện thoại miễn phí bao gồm nhiều thể loại Game Online , Game Offline , Game đánh bài , Game Nhập Vai , Game Đua Xe. Kho Game HD cực khủng với các thể loại game dành cho nhiều lứa tuổi với nhiều phiên bản đặc biệt sẽ được cập nhật liên tục tại đây . Hãy Tai Game – Tải Game về và trải nghiệm một cảm giác thú vị nhé các bạn . tai game mien phi Tai Game Mien Phi – Tải Game Miễn Phí cho tất cả các dòng máy trên điện thoại , máy tính bảng . Các bạn có thể Tai Game Mien Phi – Tải Game Miễn Phí cho nhiều dòng máy tại Game4m.Net với nhiều thể loại Game Nhập Vai , Game GRP , Game Trí Tuệ, Game Offline , Game Online cực hay dành cho mọi lứa tuổi Nhanh tay Tai Game Mien Phi – Tải Game Miễn Phí để nhận được những sự kiện khuyến mãi cực lớn. tai game game mien phi

Arquivos de tags para cinema

Ten shorts in english

I.  Memory and life are not the same; nor are they cuncurrent. There remain certain days that once had meaning, but now — void of life — they repeat themselves filled with brittle, bristling memory. Memory is always a representation, an adaptab...

Os Bastidores de The Ningyo – Estrevista com Miguel Ortega

image-37967
image-37967
The Ningyo foi um dos curta-metragens mais impressionantes lançados no ano passado. Uma história sobre um naturalista em busca de um ser lendário e da própria redenção, e se deparando com meio inesperado de atingir o seu objetivo. Um caminho que talvez ele não queira seguir. A narrativa de 27 minutos foi concebida para ser o ponto de partida para futuras histórias envolvendo a procura de criaturas fantásticas. usando toda a tecnologia disponível em um cenário de época. Eu já falei do curta neste post, sobre como ele eleva o nível...

The Ningyo

image-27823
image-27823
 O Professor Marlowe, antes um proeminente caçador que trazia espécies raras para serem taxidermizadas e expostas no museu, hoje encara as coisas de uma forma diferente, e faz o que pode para elas sejam conservadas, Coincidindo com essa mudança de atitude, ele se depara com parte de um mapa que indica onde encontrar o misterioso Ningyo, uma criatura lendária do Japão. A lenda diz que aqueles que consomem a sua carne são agraciados com imensa longevidade… mas as lendas também avisam que desastre ocorrem ao se encontrar o Ningyo. Ao...

This happening world (22)

image-11795
image-11795
Recuperando uma notícia já antiga: depois de ter demonstrado interesse no projecto, o SyFy Channel confirmou a produção da adaptação de Childhood's End, de Arthur C. Clarke, para uma mini-série televisiva de seis episódios, com estreia prevista para o próximo ano. A adaptação está entregue a Matthew Graham, o criador das séries Life on Mars e Ashes to Ashes, com o realizador Nick Hurran (Sherlock e Dr. Who) a estar a cargo do episódio piloto. É certo  que o facto de o projecto pertencer ao SyFy Channel obriga a uma certa dose de cepticismo - afinal, nos últimos anos o canal tem apostado nos seus filmes de série B(menos) do que na ficção científica de qualidade. Ainda assim, trata-se de Childhood's End - um clássico absoluto da ficção científica literária com mais de 60 anos, que ainda hoje se revela notável pelo seu alcance conceptual e pela sua trama emotiva. 

Can Automata's rise of the robots bring science fiction to life? A pergunta é de Ben Child no The Guardian, mas o título é enganador: a verdadeira pergunta é can Automata (...) finally deliver an intelligent robot movie? Diz quem já viu que Robot and Frank fez isso mesmo, e até ver não terei motivos para não acreditar; mas a verdade é que tudo em Automata me pareceu demasiado familiar para causar um entusiasmo genuíno. Enfim, é esperar para ver. 

E a propósito de robots (de cyborgs, se quisermos ser rigorosos): Margot Robbie (The Wolf of Wall Street) poderá ser a protagonista da adaptação live action de Ghost in the Shell, que está a ser produzida pela Dreamworks (com realização de Rupert Sanders, cujo currículo como realizador de longas-metragens inclui apenas... Snow White and the Huntsman). O que equivale a dizer: Margot Robbie irá interpretar o papel da icónica Major Motoko Kusanagi. Whitewashing à parte, a notícia tem relevo sobretudo por confirmar que o projecto live action de Ghost in the Shell não conheceu a mesma sorte que o de Akira, afortunadamente perdido no development hell de Hollywood - a readaptação vai mesmo avançar. Uma vez mais: considerando que o (excelente) filme de Mamoru Oshii, para além de ser uma obra-prima, permanece actual e pertinente, é difícil pensar em projecto mais desnecessário entre a mais recente fornada de remakes estreados e anunciados. 

Mas nem tudo são más notícias no que a remakes diz respeito: a Capcom encontra-se a adaptar para a geração actual de consolas (e para PC) a versão remasterizada do clássico Resident Evil, que à época foi desenvolvida apenas para a consola GameCube. Para quem, como eu, nunca teve a oportunidade de jogar o original na primeira Playstation e viu o remake (mais a prequela Resident Evil 0) ficar bloqueada pela exclusividade obtida pela Nintendo para a GameCube, isto só pode ser uma excelente notícia - mesmo que chegue com mais de uma década de atraso. 

Fontes: io9 / The GuardianPolygon

This happening world (22)

image-14433
image-14433
Recuperando uma notícia já antiga: depois de ter demonstrado interesse no projecto, o SyFy Channel confirmou a produção da adaptação de Childhood's End, de Arthur C. Clarke, para uma mini-série televisiva de seis episódios, com estreia prevista para o próximo ano. A adaptação está entregue a Matthew Graham, o criador das séries Life on Mars e Ashes to Ashes, com o realizador Nick Hurran (Sherlock e Dr. Who) a estar a cargo do episódio piloto. É certo  que o facto de o projecto pertencer ao SyFy Channel obriga a uma certa dose de cepticismo - afinal, nos últimos anos o canal tem apostado nos seus filmes de série B(menos) do que na ficção científica de qualidade. Ainda assim, trata-se de Childhood's End - um clássico absoluto da ficção científica literária com mais de 60 anos, que ainda hoje se revela notável pelo seu alcance conceptual e pela sua trama emotiva. 

Can Automata's rise of the robots bring science fiction to life? A pergunta é de Ben Child no The Guardian, mas o título é enganador: a verdadeira pergunta é can Automata (...) finally deliver an intelligent robot movie? Diz quem já viu que Robot and Frank fez isso mesmo, e até ver não terei motivos para não acreditar; mas a verdade é que tudo em Automata me pareceu demasiado familiar para causar um entusiasmo genuíno. Enfim, é esperar para ver. 

E a propósito de robots (de cyborgs, se quisermos ser rigorosos): Margot Robbie (The Wolf of Wall Street) poderá ser a protagonista da adaptação live action de Ghost in the Shell, que está a ser produzida pela Dreamworks (com realização de Rupert Sanders, cujo currículo como realizador de longas-metragens inclui apenas... Snow White and the Huntsman). O que equivale a dizer: Margot Robbie irá interpretar o papel da icónica Major Motoko Kusanagi. Whitewashing à parte, a notícia tem relevo sobretudo por confirmar que o projecto live action de Ghost in the Shell não conheceu a mesma sorte que o de Akira, afortunadamente perdido no development hell de Hollywood - a readaptação vai mesmo avançar. Uma vez mais: considerando que o (excelente) filme de Mamoru Oshii, para além de ser uma obra-prima, permanece actual e pertinente, é difícil pensar em projecto mais desnecessário entre a mais recente fornada de remakes estreados e anunciados. 

Mas nem tudo são más notícias no que a remakes diz respeito: a Capcom encontra-se a adaptar para a geração actual de consolas (e para PC) a versão remasterizada do clássico Resident Evil, que à época foi desenvolvida apenas para a consola GameCube. Para quem, como eu, nunca teve a oportunidade de jogar o original na primeira Playstation e viu o remake (mais a prequela Resident Evil 0) ficar bloqueada pela exclusividade obtida pela Nintendo para a GameCube, isto só pode ser uma excelente notícia - mesmo que chegue com mais de uma década de atraso. 

Fontes: io9 / The GuardianPolygon

Lucy: Transcendência acidental

image-11775
image-11775
Todos nós já sabemos que a velha ideia de que os seres humanos apenas utilizam dez por cento da sua capacidade cerebral não passa de um mito pseudo-científico - o que certamente não fará quaisquer favores à premissa de Lucy, o novo thriller de ficção científica do francês Luc Besson, que procura explorar a transcendência humana (é um dos temas em voga neste ano) e outras questões filosóficas sobre a Humanidade, a vida e o universo a partir daquela ideia. É certo: ouvi-la pela primeira vez revela-se um tanto ou quanto estranho, mesmo quando o discurso vem de Morgan Freeman. Mas Luc Besson, desconhecendo ou simplesmente não se importando com a debilidade do conceito central, pede ao espectador que faça o mesmo, e que o acompanhe numa viagem alucinante ao seu melhor estilo.

E a verdade é que quem o fizer - quem aceitar o filme e a sua premissa nos seus próprios termos - decerto encontrará pouco de que se queixar durante os 90 minutos que vão do início ao fim.

De forma muito sucinta (com pequenos spoilers), a trama acompanha Lucy (Scarlett Johansson), uma jovem norte-americana a viver em Taiwan que se vê envolvida no negócio de drogas de um gang sul-coerano a operar no território. O envolvimento dá-se por acidente - o seu namorado envolve-a contra a sua vontade ao fazê-a entregar uma pasta a um hotel, para um homem chamado Jang (Min-sik Choi), mas tudo corre pelo pior a partir do primeiro momento. 


Retida pela máfia sul-coreana, Lucy descobre que a pasta contém quatro pacotes de uma droga experimental designada como CPH4 - e vai acordar algum tempo depois com um desses pacotes alojado no abdómen, pronta para ser enviada para a Europa com três outros "correios". Mas quando um dos subalternos de Jang a agride, o pacote que transporta rompe-se e a droga começa a ser absorvida pelo seu corpo. E, nesse momento, tudo muda.


A absorção da CPH4 começa a desbloquear as capacidades do seu corpo e do seu cérebro, expandindo a sua percepção para níveis inimagináveis e dando-lhe total controlo sobre a sua memória, o seu metabolismo e sobre tudo o que a rodeia - com capacidades telepáticas e telecinéticas incluídas. Procurando descobrir o que se passa consigo, Lucy vai contactar o professor Norman (Morgan Freeman), cuja investigação na área cerebral poderá talvez ajudá-la a resolver a sua situação. E contacta ainda Pierre del Rio, um capitão da polícia francesa, para que ele o ajude a recuperar os outros três pacotes de CPH4, com o objectivo levar a sua evolução acelerada até às últimas consequências - mesmo com Jang no seu encalço.


Se Lucy se consegue elevar acima das debilidades evidentes da sua premissa, isso deve-se em grande parte ao desempenho seguro e credível de Scarlett Johansson. Numa época em que Zoe Saldana parece apostada em reinvindicar o título de rainha dos blockbusters de ficção científica, Johansson vai mostrando, através de uma sequência de desempenhos notáveis, por que motivo o seu rosto é é hoje em dia um dos mais visíveis e talentosos que o género tem no grande ecrã (é acompanhar a passagem da talentosa Natasha Romanoff do Marvel Cinematic Universe para a não-humana de Under the Skin, até à frágil Lucy, capaz de transcender a sua humanidade por acidente). A transição de faz da Lucy desorientada e assustada do primeiro acto para uma Lucy sobre-humana e cada vez mais distante é soberba, e Johansson transposta todo o filme com facilidade e charme mesmo nos momentos que mais esticam a suspensão da descrença.


E se a presença e o desempenho de Johansson dão credibilidade à trama, a realização segura e cinética de Besson dão a todo o filme uma energia muito própria, tanto pelo ritmo que imprime às inevitáveis sequências de acção como pelas opções pouco convencionais que emprega para contar a sua história e sublinhar alguns momentos. A trama do primeiro acto, por exemplo, surge encaixada de forma inusitada entre imagens de vida selvagem que parecem retiradas de documentários da National Geographic - todo o build-up com a cena das chitas a caçar é excepcional pela forma como destaca o carácter indefeso da Lucy original e como estabelece um paralelo invulgar entre a aula do professor Norman, na qual ele explica a evolução e o propósito da vida. A acção, quando surge, é explosiva - ao melhor estilo de Besson, de resto, com uma perseguição alucinada em Paris e várias sequências de combate violento que ora são levadas até ao final, ora são subvertidas pelos poderes de Lucy. 


É certo que, chegados ao final, será talvez impossível não reparar que Lucy tinha todos os elemementos necessários para ser um filme muito mais profundo, complexo e emotivo do que foi - mesmo mantendo a premissa frágil. O drama de alguém que consegue aceder às suas memórias mais profundas e que alcança a empatia absoluta é aludido em breves momentos (como no encontro de Lucy com a sua colega de casa, ou, naquela que será talvez a melhor cena do filme, quando telefona à mãe a partir do hospital), mas nunca levado às suas últimas consequências - e é bom de ver que seria um tema fascinante de explorar. A necessidade de contacto com alguém terreno e "normal", sublinhada por uma deixa fugaz de Lucy para del Rio, foi também uma possibilidade aludida, mas descartada em prol talvez de alguma acção mais directa e visceral (convenhamos: a cruzada de Jang acaba por ser mesmo o ponto mais fraco do filme, por mais bem montada que esta - e está - a acção). Há na odisseia pessoal de Lucy vários elementos que permitiriam a Besson construir um filme mais emotivo, mais trágico até, mas que nunca são devidamente aproveitados - surgem quase como memorados a indicar que a ideia está lá, mas que o ponto não é esse.


A pergunta acaba por se impor: qual é o ponto, afinal? A resposta surge logo no início, na palestra do professor Norman - e é essa visão do que é a vida que vai nortear alguém que está a transcender tudo o que entendemos por vida. Feitas as contas, a resolução acaba por sair talvez demasiado críptica, algo perdida entre o frenesim da acção e as alusões que Besson coloca ao longo da trama, ciente das convenções e das ideias do género em que situa o seu filme (2001 é revisitado aqui várias vezes, nem sempre de forma óbvia; e está longe de ser o único), e as várias pistas que deixa para possibilidades alternativas acabam por se revelar algo frustrantes por nunca serem concretizadas em pleno. Ao longo dos seus quase 90 minutos, porém, Lucy não deixa muito espaço para reflectir sobre tais possibilidades - entre o drama da protagonista, a acção enérgica e as imagens evocativas que Besson conjura, o filme revela-se intenso e divertido, e o encantamento (para quem, lá está, consegue aceitar as limitações da premissa) mantém-se sem esforço. 07/10

Lucy (2014)
Argumento e realização de Luc Besson
Com Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi e Amr Waked
89 minutos

Lucy: Transcendência acidental

image-14441
image-14441
Todos nós já sabemos que a velha ideia de que os seres humanos apenas utilizam dez por cento da sua capacidade cerebral não passa de um mito pseudo-científico - o que certamente não fará quaisquer favores à premissa de Lucy, o novo thriller de ficção científica do francês Luc Besson, que procura explorar a transcendência humana (é um dos temas em voga neste ano) e outras questões filosóficas sobre a Humanidade, a vida e o universo a partir daquela ideia. É certo: ouvi-la pela primeira vez revela-se um tanto ou quanto estranho, mesmo quando o discurso vem de Morgan Freeman. Mas Luc Besson, desconhecendo ou simplesmente não se importando com a debilidade do conceito central, pede ao espectador que faça o mesmo, e que o acompanhe numa viagem alucinante ao seu melhor estilo.

E a verdade é que quem o fizer - quem aceitar o filme e a sua premissa nos seus próprios termos - decerto encontrará pouco de que se queixar durante os 90 minutos que vão do início ao fim.

De forma muito sucinta (com pequenos spoilers), a trama acompanha Lucy (Scarlett Johansson), uma jovem norte-americana a viver em Taiwan que se vê envolvida no negócio de drogas de um gang sul-coerano a operar no território. O envolvimento dá-se por acidente - o seu namorado envolve-a contra a sua vontade ao fazê-a entregar uma pasta a um hotel, para um homem chamado Jang (Min-sik Choi), mas tudo corre pelo pior a partir do primeiro momento. 


Retida pela máfia sul-coreana, Lucy descobre que a pasta contém quatro pacotes de uma droga experimental designada como CPH4 - e vai acordar algum tempo depois com um desses pacotes alojado no abdómen, pronta para ser enviada para a Europa com três outros "correios". Mas quando um dos subalternos de Jang a agride, o pacote que transporta rompe-se e a droga começa a ser absorvida pelo seu corpo. E, nesse momento, tudo muda.


A absorção da CPH4 começa a desbloquear as capacidades do seu corpo e do seu cérebro, expandindo a sua percepção para níveis inimagináveis e dando-lhe total controlo sobre a sua memória, o seu metabolismo e sobre tudo o que a rodeia - com capacidades telepáticas e telecinéticas incluídas. Procurando descobrir o que se passa consigo, Lucy vai contactar o professor Norman (Morgan Freeman), cuja investigação na área cerebral poderá talvez ajudá-la a resolver a sua situação. E contacta ainda Pierre del Rio, um capitão da polícia francesa, para que ele o ajude a recuperar os outros três pacotes de CPH4, com o objectivo levar a sua evolução acelerada até às últimas consequências - mesmo com Jang no seu encalço.


Se Lucy se consegue elevar acima das debilidades evidentes da sua premissa, isso deve-se em grande parte ao desempenho seguro e credível de Scarlett Johansson. Numa época em que Zoe Saldana parece apostada em reinvindicar o título de rainha dos blockbusters de ficção científica, Johansson vai mostrando, através de uma sequência de desempenhos notáveis, por que motivo o seu rosto é é hoje em dia um dos mais visíveis e talentosos que o género tem no grande ecrã (é acompanhar a passagem da talentosa Natasha Romanoff do Marvel Cinematic Universe para a não-humana de Under the Skin, até à frágil Lucy, capaz de transcender a sua humanidade por acidente). A transição de faz da Lucy desorientada e assustada do primeiro acto para uma Lucy sobre-humana e cada vez mais distante é soberba, e Johansson transposta todo o filme com facilidade e charme mesmo nos momentos que mais esticam a suspensão da descrença.


E se a presença e o desempenho de Johansson dão credibilidade à trama, a realização segura e cinética de Besson dão a todo o filme uma energia muito própria, tanto pelo ritmo que imprime às inevitáveis sequências de acção como pelas opções pouco convencionais que emprega para contar a sua história e sublinhar alguns momentos. A trama do primeiro acto, por exemplo, surge encaixada de forma inusitada entre imagens de vida selvagem que parecem retiradas de documentários da National Geographic - todo o build-up com a cena das chitas a caçar é excepcional pela forma como destaca o carácter indefeso da Lucy original e como estabelece um paralelo invulgar entre a aula do professor Norman, na qual ele explica a evolução e o propósito da vida. A acção, quando surge, é explosiva - ao melhor estilo de Besson, de resto, com uma perseguição alucinada em Paris e várias sequências de combate violento que ora são levadas até ao final, ora são subvertidas pelos poderes de Lucy. 


É certo que, chegados ao final, será talvez impossível não reparar que Lucy tinha todos os elemementos necessários para ser um filme muito mais profundo, complexo e emotivo do que foi - mesmo mantendo a premissa frágil. O drama de alguém que consegue aceder às suas memórias mais profundas e que alcança a empatia absoluta é aludido em breves momentos (como no encontro de Lucy com a sua colega de casa, ou, naquela que será talvez a melhor cena do filme, quando telefona à mãe a partir do hospital), mas nunca levado às suas últimas consequências - e é bom de ver que seria um tema fascinante de explorar. A necessidade de contacto com alguém terreno e "normal", sublinhada por uma deixa fugaz de Lucy para del Rio, foi também uma possibilidade aludida, mas descartada em prol talvez de alguma acção mais directa e visceral (convenhamos: a cruzada de Jang acaba por ser mesmo o ponto mais fraco do filme, por mais bem montada que esta - e está - a acção). Há na odisseia pessoal de Lucy vários elementos que permitiriam a Besson construir um filme mais emotivo, mais trágico até, mas que nunca são devidamente aproveitados - surgem quase como memorados a indicar que a ideia está lá, mas que o ponto não é esse.


A pergunta acaba por se impor: qual é o ponto, afinal? A resposta surge logo no início, na palestra do professor Norman - e é essa visão do que é a vida que vai nortear alguém que está a transcender tudo o que entendemos por vida. Feitas as contas, a resolução acaba por sair talvez demasiado críptica, algo perdida entre o frenesim da acção e as alusões que Besson coloca ao longo da trama, ciente das convenções e das ideias do género em que situa o seu filme (2001 é revisitado aqui várias vezes, nem sempre de forma óbvia; e está longe de ser o único), e as várias pistas que deixa para possibilidades alternativas acabam por se revelar algo frustrantes por nunca serem concretizadas em pleno. Ao longo dos seus quase 90 minutos, porém, Lucy não deixa muito espaço para reflectir sobre tais possibilidades - entre o drama da protagonista, a acção enérgica e as imagens evocativas que Besson conjura, o filme revela-se intenso e divertido, e o encantamento (para quem, lá está, consegue aceitar as limitações da premissa) mantém-se sem esforço. 07/10

Lucy (2014)
Argumento e realização de Luc Besson
Com Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi e Amr Waked
89 minutos

Dungeons & Dragons, parte 1: Tempestade perfeita

image-14454
image-14454
Um ano antes de a primeira parte da trilogia The Lord of the Rings, The Fellowship of the Ring, estabelecer uma fasquia praticamente impossível de superar pela fantasia épica cinematográfica (e pelas adaptações da fantasia literária, já agora), houve um outro filme, um tanto ou quanto obscuro, que se encarregou de resumir em 107 minutos todos os disparates que o género conheceu na suas várias aparições no grande ecrã. Para os mais distraídos, esse filme foi Dungeons & Dragons, uma aventura de fantasia baseada de forma muito vaga naquele que será porventura o mais célebre de todos os jogos de personagens de pen & paper. O estrago que o filme terá feito em futuras adaptações dos universos ficcionais de outros jogos será talvez difícil de estimar*, mas não terá decerto feito quaisquer favores tanto aos jogadores de D&D como a quem apenas conhecia o jogo pela sua presença algo fugaz na cultura popular, que há catorze anos não se encontrava dominada pela cultura geek

Isto porque, para todos os efeitos - e não há mesmo outra forma de dizê-lo -, Dungeons & Dragons é um daqueles raros filmes que se revela a tempestade perfeita, no qual um espectador com um módico de seriedade não consegue vislumbrar, por um segundo que seja, algo acertado. Não há um elemento razoável no filme - algo capaz de redimir a empreitada e de mitigar, por pouco que seja, o desastre. Nada disso: o despiste começa no curto prólogo com a mais genérica das narrações a introduzir o sistema de classes do mundo (Izmir, um nome igualmente genérico), e prolonga-se num choque em cadeia de proporções épicas até ao final insosso e previsível desde o primeiro momento.


Dizer que o worldbuilding de Dungeons & Dragons é preguiçoso é um insulto ao pecado mortal: todo o enredo parece levantado directamente de algum manual do género Fantasy for Dummies com uns pozinhos de ideais de uma Revolução Francesa de quinta categoria: Izmir vive dividido entre os privilegiados Feiticeiros, que detém o poder, e o povo ignorante, semi-escravizado (o papel de outras raças, como os elfos e os anões - cada uma com o seu token character - ou todas as outras que aparecem numa cena decalcada da cantina de Mos Eisley em versão franciscana-fantástica, esse, permanece um mistério). A Imperatriz, jovem e ingénua, quer libertar o povo oprimido; o feiticeiro mau quer manter o status quo; e dois ladrões improváveis vão aliar-se a uma feiticeira novata (e a uma elfa e a um anão que, enfim, importam tão pouco que se desaparecessem a sua ausência não seria notada) para, como é evidente, resolver a embrulhada. 


Pelo meio há dragões - que aparentemente podem ser controlados pela imperatriz, e que o feiticeiro mau quer controlar (claro), mas que ninguém sabe muito bem de onde vêm, para onde vão, e que impacto têm naquele mundo. E há masmorras, como não podia deixar de ser - o título do filme, afinal, só será publicidade enganosa para os mais distraídos. Há longas sequências de masmorras tão decalcadas de Indiana Jones que o espectador que assista ao filme no conforto da sua sala quase se sentirá tentado a trocar o DVD pelo de Raiders of the Lost Ark (ou mesmo a interromper o filme para ir jogar Tomb Raider na consola mais próxima), com todas as armadilhas obrigatórias e mais algumas, sempre desinspiradas.


A transportar tudo isto está um elenco onde em circunstâncias normais se encontraria talento - quanto mais não seja em Jeremy Irons e em Thora Birch. Mas, convém lembrar, estamos em Dungeons & Dragons: a direcção de actores é inexistente (ou está embriagada), e os actores, decerto com o cheque nos bolsos e bem cientes da pobreza do guião, optaram ou por não se empenhar de todo (Birch) ou por se empenhar em demasia (Irons). A Imperatriz Savina de Birch é o aborrecimento em pessoa, sempre monocórdica e enjoada; e o Profion de Irons é tão over the top que se revela praticamente indescritível - o seu desempenho assume quase a forma de uma performance. Pelo meio, os dois protagonistas (Justin Whalin e Marlon Wayans) surgem estereotipados e com deixas terríveis (com o Snails de Wayans a ser irritante ao extremo na sua imitação rasca da personagem de Chris Tucker em The Fifth Element), a feiticeira Marina de Zoe McLellan revela-se uma Hermione Granger que não vai além do "Satisfaz Menos" e o Damodar de Bruce Payne, o capataz de Profion, está sempre empenhado em conquistar o prémio de vilão mais incompetente da fantasia cinematográfica. 


A banda sonora genérica, a fotografia indigente e os efeitos especiais terríveis (sobretudo para um filme cuja estreia saiu "encaixada" entre portentos visuais como The Matrix e The Lord of the Rings) são os últimos pregos num autêntico caixão de contraplacado - e tornam o orçamento de 45 milhões de dólares num enigma absoluto. E é isto, Dungeons & Dragons - a transposição para o grande ecrã de um dos mais fascinantes e duradouros jogos de fantasia alguma vez criados, num filme a todos os níveis terrível. Mau guião, mau enredo, maus diálogos, más personagens, mau universo ficcional, maus efeitos especiais, má música - nada ali é salvável. Não merece avaliação nem pelo esforço - pois este, convenhamos, foi inexistente. 02/10

Dungeons & Dragons (2000)
Realizado por Courtney Solomon
Guião de Topper Lillien e Carroll Cartwright
Com Jeremy Irons, Thora Birch, Bruce Payne, Justin Whalin, Marlon Wayans, Zoe McLellan e Robert Miano
107 minutos


* Estará longe de ser uma extrapolação pacífica, mas talvez mereça o risco: só nos últimos dois anos - catorze anos depois de Dungeons & Dragons - os projectos de realizar filmes sobre os universos ficcionais de jogos de grande popularidade como Warcraft e Magic: the Gathering começaram a ser de facto desenvolvidos. É claro que a causalidade é improvável ao ponto da inverosimilhança, mas ainda assim: apesar de Magic estar hoje no pico da sua popularidade, os anos de ouro de Warcraft, esses, são hoje uma memória. 

Dungeons & Dragons, parte 1: Tempestade perfeita

image-11697
image-11697
Um ano antes de a primeira parte da trilogia The Lord of the Rings, The Fellowship of the Ring, estabelecer uma fasquia praticamente impossível de superar pela fantasia épica cinematográfica (e pelas adaptações da fantasia literária, já agora), houve um outro filme, um tanto ou quanto obscuro, que se encarregou de resumir em 107 minutos todos os disparates que o género conheceu na suas várias aparições no grande ecrã. Para os mais distraídos, esse filme foi Dungeons & Dragons, uma aventura de fantasia baseada de forma muito vaga naquele que será porventura o mais célebre de todos os jogos de personagens de pen & paper. O estrago que o filme terá feito em futuras adaptações dos universos ficcionais de outros jogos será talvez difícil de estimar*, mas não terá decerto feito quaisquer favores tanto aos jogadores de D&D como a quem apenas conhecia o jogo pela sua presença algo fugaz na cultura popular, que há catorze anos não se encontrava dominada pela cultura geek

Isto porque, para todos os efeitos - e não há mesmo outra forma de dizê-lo -, Dungeons & Dragons é um daqueles raros filmes que se revela a tempestade perfeita, no qual um espectador com um módico de seriedade não consegue vislumbrar, por um segundo que seja, algo acertado. Não há um elemento razoável no filme - algo capaz de redimir a empreitada e de mitigar, por pouco que seja, o desastre. Nada disso: o despiste começa no curto prólogo com a mais genérica das narrações a introduzir o sistema de classes do mundo (Izmir, um nome igualmente genérico), e prolonga-se num choque em cadeia de proporções épicas até ao final insosso e previsível desde o primeiro momento.


Dizer que o worldbuilding de Dungeons & Dragons é preguiçoso é um insulto ao pecado mortal: todo o enredo parece levantado directamente de algum manual do género Fantasy for Dummies com uns pozinhos de ideais de uma Revolução Francesa de quinta categoria: Izmir vive dividido entre os privilegiados Feiticeiros, que detém o poder, e o povo ignorante, semi-escravizado (o papel de outras raças, como os elfos e os anões - cada uma com o seu token character - ou todas as outras que aparecem numa cena decalcada da cantina de Mos Eisley em versão franciscana-fantástica, esse, permanece um mistério). A Imperatriz, jovem e ingénua, quer libertar o povo oprimido; o feiticeiro mau quer manter o status quo; e dois ladrões improváveis vão aliar-se a uma feiticeira novata (e a uma elfa e a um anão que, enfim, importam tão pouco que se desaparecessem a sua ausência não seria notada) para, como é evidente, resolver a embrulhada. 


Pelo meio há dragões - que aparentemente podem ser controlados pela imperatriz, e que o feiticeiro mau quer controlar (claro), mas que ninguém sabe muito bem de onde vêm, para onde vão, e que impacto têm naquele mundo. E há masmorras, como não podia deixar de ser - o título do filme, afinal, só será publicidade enganosa para os mais distraídos. Há longas sequências de masmorras tão decalcadas de Indiana Jones que o espectador que assista ao filme no conforto da sua sala quase se sentirá tentado a trocar o DVD pelo de Raiders of the Lost Ark (ou mesmo a interromper o filme para ir jogar Tomb Raider na consola mais próxima), com todas as armadilhas obrigatórias e mais algumas, sempre desinspiradas.


A transportar tudo isto está um elenco onde em circunstâncias normais se encontraria talento - quanto mais não seja em Jeremy Irons e em Thora Birch. Mas, convém lembrar, estamos em Dungeons & Dragons: a direcção de actores é inexistente (ou está embriagada), e os actores, decerto com o cheque nos bolsos e bem cientes da pobreza do guião, optaram ou por não se empenhar de todo (Birch) ou por se empenhar em demasia (Irons). A Imperatriz Savina de Birch é o aborrecimento em pessoa, sempre monocórdica e enjoada; e o Profion de Irons é tão over the top que se revela praticamente indescritível - o seu desempenho assume quase a forma de uma performance. Pelo meio, os dois protagonistas (Justin Whalin e Marlon Wayans) surgem estereotipados e com deixas terríveis (com o Snails de Wayans a ser irritante ao extremo na sua imitação rasca da personagem de Chris Tucker em The Fifth Element), a feiticeira Marina de Zoe McLellan revela-se uma Hermione Granger que não vai além do "Satisfaz Menos" e o Damodar de Bruce Payne, o capataz de Profion, está sempre empenhado em conquistar o prémio de vilão mais incompetente da fantasia cinematográfica. 


A banda sonora genérica, a fotografia indigente e os efeitos especiais terríveis (sobretudo para um filme cuja estreia saiu "encaixada" entre portentos visuais como The Matrix e The Lord of the Rings) são os últimos pregos num autêntico caixão de contraplacado - e tornam o orçamento de 45 milhões de dólares num enigma absoluto. E é isto, Dungeons & Dragons - a transposição para o grande ecrã de um dos mais fascinantes e duradouros jogos de fantasia alguma vez criados, num filme a todos os níveis terrível. Mau guião, mau enredo, maus diálogos, más personagens, mau universo ficcional, maus efeitos especiais, má música - nada ali é salvável. Não merece avaliação nem pelo esforço - pois este, convenhamos, foi inexistente. 02/10

Dungeons & Dragons (2000)
Realizado por Courtney Solomon
Guião de Topper Lillien e Carroll Cartwright
Com Jeremy Irons, Thora Birch, Bruce Payne, Justin Whalin, Marlon Wayans, Zoe McLellan e Robert Miano
107 minutos


* Estará longe de ser uma extrapolação pacífica, mas talvez mereça o risco: só nos últimos dois anos - catorze anos depois de Dungeons & Dragons - os projectos de realizar filmes sobre os universos ficcionais de jogos de grande popularidade como Warcraft e Magic: the Gathering começaram a ser de facto desenvolvidos. É claro que a causalidade é improvável ao ponto da inverosimilhança, mas ainda assim: apesar de Magic estar hoje no pico da sua popularidade, os anos de ouro de Warcraft, esses, são hoje uma memória. 
%d bloggers like this: