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O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias: Regresso ao futuro pela ironia cósmica

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Por estranho que possa parecer aos leitores mais novos (entre os quais me incluo), houve um tempo, e não tão distante quanto isso, em que se publicava por cá ficção científica em quantidade e também em qualidade (pelo menos na selecção de títulos). E essa publicação incluía autores também alguns autores portugueses, uns poucos que seguiram a trajectória habitual nos fandoms anglo-saxónicos de leitores ávidos para fãs entusiasmados para autores capazes de se afirmar pelos seus méritos estilísticos, pela originalidade das suas vozes e pela sua capacidade de dar um cunho pessoal a convenções e ideias importadas de um género que, antes deles, pouca tradição encontrava por cá. João Barreiros é um desses leitores/fãs/autores, formado no género durante os anos de ouro das colecções, tendo desenvolvido uma actividade ímpar como editor, antologista, tradutor e autor. Haverá decerto outras ocasiões para explorar as restantes facetas de Barreiros; hoje, o tema será a sua obra inicial enquanto autor, com a ficção curta compilada numa colectânea publicada na "colecção azul" da Caminho nos idos gloriosos de 1994: O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias.

Que um livro como este Caçador de Brinquedos não seja hoje fácil de encontrar em qualquer estante de uma livraria que se preze, numa edição revista com capa nova e um pequeno selo a indicar uma quarta ou quinta edição (ou, neste ano de 2014, a assinalar o vigésimo aniversário da publicação original) diz praticamente tudo o que há a dizer sobre o estado estrago da ficção científica literária nacional, com os títulos originais de outros anos votados ao esquecimento e relegados às actividades quase arqueológicas dos alfarrabistas (e dos respectivos clientes), e com as novas edições traduzidas a surgirem de forma tão isolada como fugaz. Quem tiver a sorte de encontrar um exemplar sobrevivente às labaredas dos nossos pequenos Montags editoriais terá nas mãos não só um tesouro de uma era perdida, como também uma das mais importantes obras da ficção científica portuguesa.

Essa importância advém não tanto da questão da raridade mas sobretudo por mostrar alguns dos primeiros textos de ficção de João Barreiros, onde o autor começou a dar forma ao seu estilo inconfundível e aos temas e motivos que se tornaram mais ou menos recorrentes na sua obra. Como a desconstrução e a subversão da iconografia e do imaginário infantis, tão bem sintetizada no conto que dá título à colectânea: O Caçador de Brinquedos. É uma pequena fábula, tão divertida somo sombria, na qual os brinquedos de que todos os miúdos gostam são infectados com um estranho vírus cibernético que os torna homicidas - e daí à guerra declarada para com os humanos adultos vai um pequeno passo, com o jovem Jimmy retido numa infância física falsa em nome de uma vingança pessoal. Ou o ataque mais ou menos velado à literatura mainstream, eterno némesis do géneros literários na percepção de inúmeros leitores: Quatro milhões de Lolitas é também isso, e mais - uma história muito curiosa, capaz de dar a volta às expectativas dos leitores em vários momentos. Como também o são as duas Crónicas do Exílio Lunar, duas histórias que partilham um universo ficcional intrigante, no qual uma raça alienígena designada como "Aranhetas" surge no Sistema Solar e causa o caos à sua passagem - refreada apenas pelo seu apetite ao mesmo tempo orgásmico e mortal (literalmente) pela literatura humana. A imagem de uma criatura alienígena a liquefazer-se enquanto ouvem passagens de Shakespeare ou Beckett tem uma força muito própria, e não deixa quase de saber a uma pequena vendetta pessoal para com os "solilóquios existenciais" da literatura dita "erudita". 

Mas este Caçador de Brinquedos esconde mais algumas pérolas. Um dia com Júlia na Necrosfera será talvez o melhor texto da colectânea - uma narrativa sombria que parece explorar os conceitos que Philip K. Dick apresentou no excepcional Ubik para os levar noutra direcção, mais próxima do renegado Jory do que das personagens principais, Glen Runciter e Joe Chip. Saldos é um ataque violento, hilariante e trágico ao consumismo exacerbado através de um desgraçado - os protagonistas de Barreiros tendem a sê-lo - que se vê apanhado, indefeso, nas malhas compulsivas de um centro comercial; um ataque que tenta também em A gaia-concorrência, ainda que com menos eficácia. Balada para um Katástrofopoeta transforma a destruição de Lisboa num reality show visto do céu, com um resgate ousado pelo meio. E Kulturkomandos e Alice e a semente de Nyack-Nyack, as duas excelentes histórias que compõem as Crónicas do Exílio Lunar, concluem a colectânea numa nota alta, com a narrativa excepcional do primeiro e a premissa cativante do segundo a merecerem destaque.

É claro que nem tudo em O Caçador de Brinquedos funciona na perfeição. A gaia-concorrência e Balada para um Katástrofopoeta serão porventura os textos mais fracos, ainda que ambos contenham elementos conceptuais de grande interesse e sirvam como exemplos da ironia refinada e do humor negro que se tornariam habituais na ficção científica de João Barreiros. Algumas das referências infantis poderão ser já excessivamente obscuras para um público contemporâneo mais jovem (o urso Fozzy, por exemplo). E alguns dos contos - como os dois últimos - acabam por saber a pouco. Nem por isso, porém, deixam de ser contos notáveis pela construção de mundo que exibem, pelas situações que as suas personagens enfrentam, pelo absurdo irónico e muito auto-consciente que se pode ler em cada linha. Com o bónus de que quem já estiver familiarizado com a restante obra de João Barreiros - em particular com Terrarium, o magmum opus escrito a meias com Luís Filipe Silva - encontrará aqui a génese de muitos elementos e de várias ideias que se tornariam relevantes mais tarde, devidamente viradas do avesso e refinadas pela ironia mais negra. Mais do que uma colectânea notável, O Caçador de Brinquedos é um autêntico "elo perdido" da ficção científica nacional - que, pela qualidade das suas narrativas e pela raridade da sua edição, merece ser relembrado e partilhado com as novas gerações de leitores. 

Título: O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias
Autor: João Barreiros
Editora: Caminho
Ano: 1994
Formato: Paperback
Páginas: 242
Género: Ficção Científica

João Barreiros (1952 – )

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No que à ficção científica em língua portuguesa diz respeito, poucos nomes merecem o destaque de João Barreiros, um dos seus mais ilustres praticantes, com uma actividade tão relevante como multifacetada ao longo das últimas quatro décadas - foi (e é) autor, tradutor, crítico, antologista, editor, e, aicma de tudo, fã incondicional do género. Formado em Filosofia, desenvolveu a sua carreira literária em paralelo com a profissão de professor do Ensino Secundário; os seus primeiros contos publicados datam de 1977, numa edição de autor intitulada Duas Fábulas Tecnocráticas. Alguma da sua ficção curta encontra-se reunida em várias colectâneas, como O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias (1994), A Verdadeira Invasão dos Marcianos (2004) e Se Acordar Antes de Morrer (2010); outros contos encontram-se dispersos por várias antologias e publicações profissionais e amadoras. Com Luís Filipe Silva assinou Terrarium: Um Romance em Mosaicos, obra maior (na ambição e no resultado) da ficção científica portuguesa, publicado em 1996 na entretanto extinta colecção "azul" da Caminho. A Bondade dos Estranhos, de 2007, é o seu segundo romance.

Como antologista, organizou Lisboa no Ano 2000, antologia de 2012 publicada pela Saída de Emergência, na qual desenvolveu - e partilhou com outros autores - um universo ficcional retrofuturista de estilo teslapunk sob o mote de uma Lisboa alternativa na viragem do milénio. Na qualidade de editor, teve a seu cargo as (infelizmente curtas) colecções de ficção científica das editoras Clássica e Gradiva; sob a sua orientação foram publicados autores à época inéditos em Portugal como Dan Simmons, William Gibson ou Iain M. Banks. E traduziu romances como The Eye of the Queen, de Phillip Mann, The Song of Kali, de Dan Simmons, e The Forever War, de Joe Haldeman, entre vários outros. As suas críticas literárias foram publicadas em jornais como o Público e O Independente, e nas revistas Ler e Os Meus Livros. Foi um dos membros fundadores da Simetria - Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico, e em 1984 (há precisamente 30 anos) participou activamente na organização do célebre Ciclo de Cinema de Ficção Científica, da Cinemateca de Lisboa e da Fundação Calouste Gulbenkian.

João Manuel Barreiros nasceu a 31 de Julho de 1952, e assinala hoje o seu 62º aniversário. 

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